Um jovem britânico de 23 anos está a intrigar a comunidade científica por sofrer de “déjà vu” crónico. Há oito anos que tem esta sensação constante e os investigadores do caso não percebem porquê.

O “déjà vu” é aquela sensação de “já visto” que todos temos, por vezes, quando sentimos que já estivemos antes num lugar, por exemplo. Mas este é um caso de “déjà vu” crónico e afecta um jovem britânico de 23 anos que está a ser analisado por um grupo de investigadores do Reino Unido, de França e do Canadá.

“Ele ficou completamente traumatizado com essa sensação constante de que a sua mente está a brincar consigo. Uma vez, foi cortar o cabelo e, quando entrou na barbearia, teve um déjà vu. Em seguida, teve um déjà vu do déjà vu. E já não conseguia mais pensar em outra coisa”, relata um dos envolvidos na investigação, o neuropsicólogo cognitivo da Universidade de Bourgogne, Chris Moulin, em declarações citadas pela BBC.

A situação será tão grave para ao dia a dia do jovem que ele já terá sido obrigado a não ver televisão, nem a ouvir rádio ou ler jornais, porque se confrontaria sucessivamente com histórias que sentia já conhecer.

O jovem sentir-se-á preso numa espécie de túnel do tempo e ficará mais angustiado perante os episódios de “déjá vu” que vai sentindo, o que causará crises ainda mais frequentes.

Os exames efectuados não detectaram nada de anormal no cérebro deste britânico e os investigadores acreditam que as causas do problema serão do foro psicológico

. O jovem terá um historial de depressão e de ansiedade que pode ter sido agravado pelo uso esporádico de LSD.

Mas não se trata de caso único e Chris Moulin relata outras histórias de pacientes com o mesmo problema.

“Eles cumprimentavam-me como um velho amigo, apesar de nunca me terem visto antes. Alguns falaram comigo por Skype, estavam do outro lado do mundo, mas ainda assim tinham essa sensação”, conta o neuropsicólogo à BBC.

Depois da divulgação do caso do jovem britânico por vários órgãos de comunicação social, mais situações semelhantes terão surgido, conforme repara na BBC a investigadora Christine Wells, da Universidade Sheffield Hallam, em South Yorkshire, Inglaterra.

“Recebi mensagens de pessoas que vivem na Austrália e nos Estados Unidos. Trata-se de uma doença rara, mas há de facto pessoas que dizem que têm ou tiveram a mesma coisa – ou conhecem alguém com o problema”, conta a investigadora.

SV, ZAP