Sean Dempsey / EPA
A saída do Reino Unido da União Europeia pode ser adiada até 2021 sob os planos que estão a ser explorados pelos responsáveis da UE, num momento de crescente exasperação com a forma como Theresa May lida com as negociações.
A informação foi avançada este domingo pelo jornal britânico The Guardian. O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, é apontado como um dos defensores deste adiamento caso o parlamento britânico continue a rejeitar o acordo de Theresa May.
A ideia seria substituir o período de transição de 21 meses — que começaria em abril de 2019 — por tempo extra do Reino Unido como Estado-membro, o que permitiria aos dois lados estabelecerem um futuro relacionamento que tornasse dispensável o chamado backstop irlandês.
O backstop é um mecanismo de salvaguarda do acordo de Brexit que tem como objetivo evitar o regresso de uma fronteira física entre a República da Irlanda (que continuará como Estado-membro) e a província britânica da Irlanda do Norte.
O backstop cria “um território aduaneiro único” entre a UE e o Reino Unido em que as mercadorias vindas do Reino Unido teriam “um acesso sem taxas e sem quotas ao mercado dos 27”. Assim, a Irlanda do Norte mantinha-se alinhada com as normas do mercado único “essenciais para evitar uma fronteira rígida”.
Este método só entraria em vigor caso não houvesse acordo antes do período de transição, que terminaria a 31 de dezembro e que — de acordo com as regras já estabelecidas — só poderá ser prolongado uma única vez e por uma duração ilimitada.
A União Europeia estará empenhada em evitar conceder uma pequena extensão no prazo que seria ineficaz já que a questão iria voltar a colocar-se no verão caso o Governo de May não consiga levar a melhor no Parlamento.
“Se os líderes veem alguma vantagem em estender o prazo, o que não é uma certeza tendo em conta a situação no Reino Unido, não vão romper o acordo, mas sim garantir um período decente para resolver os problemas pendentes
ou fechar as escotilhas”, disse um diplomata da União Europeia citado pelo The Guardian.A mesma fonte diz que “uma prorrogação de 21 meses faz sentido, pois cobriria o quadro financeiro plurianual (o período do orçamento da UE) e facilitaria as coisas. Isto se se prevenir que os líderes não fiquem completamente abatidos com o cansaço do Brexit. Isto corre nos bastidores em Bruxelas. Martin Selmayr, entre outros, também gostou da ideia”.
Os responsáveis de Bruxelas estão exasperados como o governo de May está a lidar com o Brexit e já são vários os que acreditam que a hipótese de não haver acordo é “superior a 50%”.
Fontes comunitárias citadas pela agência EFE revelaram que o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, deixou um aviso a Theresa May de que tem de ter um novo acordo, com o apoio do parlamento britânico, para apresentar na cimeira comunitária prevista para 21 e 22 de março, em Bruxelas.
“Não vamos discutir de novo até que apresente um texto que tenha o apoio do parlamento britânico”, disse à EFE uma fonte diplomática. May e Tusk tiveram um encontro bilateral à margem da cimeira UE-Liga Árabe, numa conversa que, segundo fontes comunitárias, centrou-se em “assuntos logísticos e de calendário”, já que está a terminar o prazo de 29 de março.
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