André Kosters / Lusa

O Ministro da Educação Tiago Brandão Rodrigues

A última reunião plenária do ano ficou marcada pelo debate requerido pelo PSD sobre a Educação. Mas para Tiago Brandão Rodrigues, a motivação dos sociais-democratas ao convocar este debate “não foi certamente discutir a Educação”.

Esta terça-feira, o PSD acusou o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, de estar em “confinamento” desde que assumiu funções e de “irresponsabilidade política” por “continuar a culpar o Governo anterior pelo mau desempenho do atual“.

“Tem sido um ministro ausente, fugidio, que aparece a público com intermitências para fazer mais uns quantos anúncios, umas promessas, para desfiar uma narrativa oca, sem rumo e sem estratégia”, criticou o vice-presidente da bancada, Luís Leite Ramos, no arranque do debate de urgência sobre Educação, requerido pelo PSD.

Na sua intervenção, elencou um conjunto de respostas a que Tiago Brandão Rodrigues não respondeu sobre o primeiro período escolar, como informação atualizada sobre o número de escolas fechadas, turmas confinadas ou casos confirmados de covid-19, bem como dados sobre quantos computadores foram entregues aos alunos.

Leite Ramos referiu-se igualmente ao recente estudo internacional, o TIMSS 2019, que o PSD diz confirmarem uma regressão dos alunos portugueses.

“Mais lamentável é o facto de não o reconhecerem, de insistirem no passa-culpas permanente para o passado. Ao fim de cinco anos de governação continuarem a culpar o governo anterior pelo vosso mau desempenho já não se trata de desonestidade intelectual, é um caso agudo de irresponsabilidade política”, acusou.

No final do debate, Tiago Brandão Rodrigues gastou os seis minutos disponíveis para fazer um ataque ao PSD, acusando-o de “patrocinar” o partido Chega.

“O PSD traz-nos aqui o que aconteceu entre 2011 e 2015 [período de Governo PSD/CDS-PP], um tempo de querubins e de querubinas, um tempo de serafins e de serafinas. E agora só Lucíferes, Belzebus, entre os cornudos

que existem por aqui a trabalhar a Educação”, ironizou.

O governante disse não compreender a urgência do PSD neste debate e afirmou ter respondido “a mais de mil perguntas” das 1.252 perguntas que recebeu do Parlamento.

“É da mais elementar justiça, o ministro da Educação vir dizer bravo às escolas, bravo aos diretores, bravo aos docentes, bravo aos não docentes, bravo aos alunos e bravo também às suas famílias, que mesmo num tempo tão difícil conseguiram erguer em cada escola um espaço de segurança e de confiança”, saudou.

Na ótica de Brandão Rodrigues, a motivação do PSD ao convocar este debate “não foi certamente discutir a educação”, mas “surfar um conjunto de descontentamentos e dificuldades que sempre existem e existirão”.

“Gostava de ver o PSD a defender a escola pública, mas o que vemos é o PPD/PSD a aplaudir a intervenção do deputado do Chega“, disse, acrescentando que até no debate desta terça-feira foi notório que a ascensão do Chega é “patrocinada por parte do PSD”.

[sc name=”assina” by=”Liliana Malainho, ZAP” url=”” source=”Lusa”]