Carlos Barroso / Lusa

Luís Marques Mendes

Apesar de louvar a redução do preço dos passes sociais, Luís Marques Mendes refere que esta medida não surge por acaso, entrando em vigor “a dois meses das europeias e a seis das legislativas”.

No habitual espaço de comentário político no Jornal da Noite da SIC, Luís Marques Mendes abordou as alterações no preço dos passes sociais, referindo a existência de “uma redução brutal” que “vai ter um impacto político e social enorme”. Mas o ex-líder do PSD foi mais longe e classificou a medida de “bomba eleitoral“.

O comentador político realçou o cariz prático e imediato das decisões que entrarão em vigor em abril – a poupança para o bolso dos portugueses.

Na prática, nenhum utilizador normal pagará mais de 40 euros pelo passe e idosos nunca mais de 20, adianta o Observador. Além disso, “estuda-se a hipótese de, mais para a frente, crianças até aos 12 anos estarem isentas”, adiantou Marques Mendes. Esta medida fará com que a utilização dos transportes públicos aumente.

No entanto, isso implica uma nova questão: “Existem transportes em qualidade e quantidade suficiente?”.

O comentador destacou ainda que esta medida é, sobretudo, para Lisboa e Porto. “Todos os portugueses pagam. Mas há muitos municípios do interior que não terão benefício nenhum e também pagam. O interior fica a ver navios. Para os grandes centros urbanos, onde há os votos, há dinheiro.”

Na opinião de Luís Marques Mendes, esta alteração nos preços é mesmo “a medida mais eleitoralista dos últimos 25 anos“, principalmente porque entra em vigor “a dois meses das europeias e a seis das legislativas”. “É uma medida justa, necessária, mas com um eleitoralismo à solta brutal”, resume.

“Está-se a matar o SNS”

O eleitoralismo voltou a marcar presença no comentário político deste domingo quando Marques Mendes surgiu com o tema “roteiro da saúde” que António Costa tem realizado nos últimos tempos – isto é, uma sucessão de inaugurações de unidades de saúde.

Marques Mendes desvalorizou a questão, rematando o assunto com a frase “toda a gente está a fazer campanha eleitoral”. De seguida, centrou as atenções nos problemas que assolam a Saúde em Portugal. “Está a matar-se o SNS”, principalmente porque falta “investimento em recursos humanos“.

Para o ex-líder do PSD, manter as cativações na Saúde está “a matar, a pouco e pouco, o SNS”. “O SNS é a maior conquista do 25 de abril, a seguir à liberdade. É um dos dois instrumentos principais para combater a desigualdade social, juntamente com a escola pública.”

Dada a gravidade do assunto, Marques Mendes apelou, inclusive, para que no final do período eleitoral, o Governo e a oposição se “entendessem” sobre o assunto.

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