Alessandra Tarantino / Pool / EPA
Os bispos que participam no Sínodo da Amazónia, uma reunião no Vaticano marcada para outubro, divulgaram uma carta, lamentando que o Estado brasileiro os “criminaliza” e os trate como “inimigos da Pátria”.
A Igreja Católica respondeu desta forma a declarações do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, que confirmou que a Abin – a Agência Brasileira de Informação – está a “monitorizar” o Sínodo, por considerar que o interesse do Vaticano pode pôr em causa a soberania do Brasil.
Entre 6 e 27 de outubro, realiza-se o Sínodo da Amazónia, em que participam bispos de nove países da América do Sul, sendo 57 dos quais brasileiros, de acordo com o portal UOL. Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela e Guiana Francesa também enviaram representantes a este encontro com o Papa Francisco, para discutir a ação da Igreja Católica nesta área. Estas reuniões realizam-se periodicamente desde 1952.
Uma das questões em cima da mesa será a possível ordenação de homens casados na Amazónia – uma medida que será circunscrita a esta região, e de preferência a anciãos “indígenas, respeitados e aceites pela sua comunidade, ainda que já tenham uma família constituída e estável, com a finalidade de assegurar os sacramentos que acompanhem e sustentem a vida cristã”, nas áreas mais remotas da região.
O encontro, no entanto, está a suscitar burburinho na administração Bolsonaro, que está preocupado com ataques à soberania na Amazónia e indignação internacional com a dimensão dos incêndios florestais na Amazónia, potenciados pelas decisões de cortar fundos para a fiscalização na floresta tomadas por este Governo brasileiro.
“A nossa expectativa é de que não haja problema para o Governo nem nenhum desentendimento com a Igreja”, disse o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, ao jornal O Estado de S. Paulo.
O jornal brasileiro escreve que o Palácio do Planalto está a tentar conter o que considera ser um avanço da Igreja Católica em temas de esquerda – alterações climáticas, a situação dos povos indígenas e a desflorestação da Amazónia.
“Lamentamos imensamente que hoje, em vez de serem apoiadas e incentivadas, nossas lideranças são criminalizadas como inimigos da Pátria. Junto com o Papa Francisco, defendemos de modo intransigente a Amazónia e exigimos medidas urgentes dos Governos frente à agressão violenta e irracional à natureza, à destruição inescrupulosa da floresta que mata a flora e a fauna milenares com incêndios criminosamente provocados”, escreveram
os bispos, em resposta às declarações de Bolsonaro.O Papa Francisco manifestou-se, este domingo, “inquieto” com incêndios que afetam a Amazónia, que apelidou de “um pulmão vital” para o planeta.”Estamos todos preocupados com os grandes incêndios que ocorrem na Amazónia. Vamos orar para que, com o esforço de todos, eles sejam controlados o mais rapidamente possível. Esse pulmão florestal é vital para o nosso planeta”, disse Francisco, da janela do palácio apostólico da cidade do Vaticano, depois da oração do Angelus.
Em maio, o Papa Francisco reuniu-se com o indígena Raoni, líder do povo indígena Caiapó, que na Europa se encontrou com responsáveis de diversas áreas, advertindo sobre o desmatamento da Amazónia e procurando angariar um milhão de euros para proteger a Reserva do Xingu, no Brasil. Em 2015, já o Papa tinha denunciado a exploração da floresta amazónica por “enormes interesses económicos internacionais”.
Já em janeiro de 2018, o pontífice argentino, de 82 anos, visitou Puerto Maldonado, um vilarejo no sudeste do Peru, cercado pela selva amazónica, onde criticou “a forte pressão dos principais interesses económicos, que cobiçavam petróleo, gás, madeira, ouro, monoculturas agroindustriais”.
[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa” ]
Morre tanta gente que faz falta e este mundo só este moste de esterco não morre.