Marcelo Camargo / Agência Brasil

A poucos dias de uma vitória que parece quase garantida, o candidato da extrema-direita Jair Bolsonaro promete “limpar” o país dos “marginais vermelhos”.

O favorito na segunda volta das presidenciais, Jair Bolsonaro, fez afirmações incendiárias sobre a esquerda, garantindo que o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva ia “apodrecer na prisão”. Este domingo, o candidato de extrema-direita atacou a esquerda, dirigindo-se a apoiantes que se manifestavam em São Paulo, através de uma mensagem em vídeo, que foi transmitida em direto a partir da sua casa no Rio de Janeiro.

“Limpeza em profundidade” foram as palavras de ordem de Bolsonaro, que reiterou que os seus opositores de esquerda não irão ter outra escolha além do exílio ou da prisão. “Se esse grupo quiser continuar cá, vai ter de se submeter à lei, como todos os outros. Ou saem do país ou vão para a prisão. Esses marginais vermelhos vão ser proibidos de ficarem na nossa pátria”, disse.

Maurício Santoro, professor de Ciência Política na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), inquieta-se com a dimensão do termo ‘vermelhos’. “Quem são estes vermelhos? Os que não estão de acordo com ele? Todas as pessoas de esquerda, todos os progressistas? É um discurso de incitamento ao ódio por parte de uma corrente política”, acentuou.

Bolsonaro sempre utilizou um tom agressivo para se referir aos seus adversários políticos, mas baixou ligeiramente o tom depois de se apurar para a segunda volta das eleições presidenciais, a 7 de outubro. Esta agressividade acrescida é atribuída à vantagem que as sondagens lhe dão, ao creditá-lo com 59% das intenções de voto.

“É justamente esta vantagem que explica este tom agressivo. Ele quer utilizar a sua popularidade para fazer passar um programa extremista. Depois de ter sido ridicularizado pela esquerda durante cerca de 30 anos, ele pode agora contra-atacar”, sublinhou Santoro.

O seu alvo é Lula, que cumpre desde abril uma pena de 12 anos e seis meses de prisão, por corrupção, tendo sido substituído na corrida presidencial por Fernando Haddad, após ter sido declarado inelegível.

“Senhor Lula da Silva, se você espera que Haddad se torne presidente para o perdoar, vou dizer-lhe uma coisa, você vai apodrecer na prisão”, declarou, na mensagem vídeo. “Aliás, Haddad vai também [para a prisão]. Não para lhe fazer uma visita, mas para ficar alguns anos consigo. Como gosta tanto dele, vocês vão apodrecer os dois na prisão.”

Para André César, analista do gabinete de consultoria Hold, estas afirmações fazem parte do “‘kit’ habitual” de Bolsonaro

e não devem ter impacto nas intenções de voto. “Isto não muda nada. As posições estão definidas, tanto de um lado como do outro. Mesmo que aconteça alguma coisa de grave, isso não iria mudar um resultado que parece definido.”

O escândalo do alegado financiamento por empresas de distribuição massiva de mensagens anti-PT através da rede social WhatsApp não parece afetar o candidato da extrema-direita, uma situação denunciada pelo jornal Folha de S. Paulo.

“Nós vamos ganhar esta guerra. Folha de São Paulo: vocês vão deixar de ter direito ao maná publicitário do governo. Somos pela liberdade de imprensa, mas com responsabilidade”, ameaçou Jair Bolsonaro.

Facebook apaga páginas e contas pró-Bolsonaro

Esta segunda-feira, a rede social apagou um conjunto de 68 páginas e 43 perfis que, segundo o jornal O Estado de São Paulo, formavam a maior rede online de apoio ao candidato Jair Bolsonaro.

Páginas e perfis eram detidas por uma única identidade, a Raposo Fernandes Associados (RFA), avança o jornal Público. Segundo o Facebook, a RFA violou as regras de autenticidade e de spam ao utilizar contas falsas ou duplicadas para gerir páginas como a Folha Política, a TV Revolta e o Movimento Contra Corrupção. Estas páginas somavam milhões de seguidores.

Através destas páginas e sites, a RFA difunde notícias falsas e mensagens de propagandas favoráveis ao setor conservador brasileiro. Ainda assim, o Facebook não aponta o conteúdo como razão para a sua remoção, mas sim o facto de os administradores ocultarem a sua identidade e de canalizarem o tráfego para sites externos de forma fraudulenta.

As redes sociais desempenharam um papel fundamental na ascensão de Bolsonaro na corrida presidencial, que se encontra bem colocado para vencer Fernando Haddad.

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