Antonio Cruz / Agência Brasil

Tereza Cristina será a ministra da Agricultura

O Presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, escolheu a deputada Tereza Cristina para ministra da Agricultura, após ouvir a sugestão dos dirigentes da influente “bancada do boi”, que reúne os parlamentares apoiados pelo agro-negócio.

A futura ministra da Agricultura era deputada pelo partido Democratas (DEM), eleita pelo Mato Grosso do Sul, e liderava a Frente Parlamentar Agro-Pecuária (FPA) do Congresso, como é conhecida oficialmente a “bancada do boi”, um dos grupos parlamentares temáticos mais influentes. Há mais de 200 parlamentares de partidos diferentes unidos pelo apoio a uma agenda favorável aos interesses da indústria agrícola.

Tereza Cristina era, até agora, a líder desse grupo e foi a principal responsável pelo avanço de uma lei que liberaliza a utilização de pesticidas na agricultura.

Bolsonaro anunciou o nome da nova ministra através do Twitter depois de um encontro com membros da bancada ruralista, de acordo com o portal de notícias G1, em que Tereza Cristina foi sugerida para ocupar o cargo.

Tereza Cristina ficou conhecida como a “musa do veneno” por causa dos seus esforços para que a utilização de pesticidas fosse liberalizada. A deputada presidiu a comissão que em Junho deu luz-verde ao diploma legislativo, que terá ainda de passar pelas duas câmaras do Congresso.

Há 12 anos que a proposta estava bloqueada no Congresso. A campanha de recandidatura da deputada recebeu 82.117 euros de doações de empresas ligadas ao sector agrícola, de acordo com o Repórter Brasil.

Entre outras alterações ao atual regime de aprovação de pesticidas, o diploma vai permitir que a regularização destes produtos seja mais rápida. Atualmente, há três órgãos que controlam o processo de aprovação dos pesticidas, mas a nova lei irá unificar o procedimento que passa a ficar totalmente sob tutela do Ministério da Agricultura.

Não é a primeira vez que uma líder da “bancada do boi” passa pelo Ministério da Agricultura. No final de 2014, recorda o Público, Dilma Rousseff nomeou a então deputada e líder da FPA Kátia Abreu como ministra. Abreu foi candidata a vice de Ciro Gomes nas últimas eleições presidenciais.

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