Fernando Frazão / Agência Brasil

O candidato Jair Bolsonaro (PSL) venceu as eleições presidenciais brasileiras deste domingo, com 46,7% dos votos, seguido de Fernando Haddad (PT), com 28,37%, quando estão 96% das secções de voto apuradas, confirmando uma segunda volta entre ambos.

O candidato de direita, Jair Bolsonaro (PSL), venceu as eleições presidenciais, com 46,7% dos votos. Na sede de campanha do candidato da extrema-direita, os seus apoiantes chegaram mesmo a gritar “primeiro turno”, admitindo uma vitória na primeira volta.

No entanto, quando estão apuradas 96% das secções de voto, confirma-se uma segunda volta entre Bolsonaro e Fernando Haddad (PT), que substituiu Lula da Silva na liderança do partido de esquerda, que reuniu 28,37% das intenções de voto e ganhou em todos os estados do Nordeste (à exceção do Ceará, onde venceu Ciro Gomes).

Segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que começaram a ser divulgados às 19h00 (23h00 em Lisboa), no terceiro lugar da contagem ficou o candidato Ciro Gomes (PDT), com 12,52% dos votos contabilizados.

De acordo com o TSE, um em cada cinco brasileiros não votou na primeira volta das eleições, apesar do voto ser obrigatório no país. Ao todo, 29,9 milhões de brasileiros não comparecerem às urnas para eleger um novo Presidente, o que resultou numa taxa de abstenção de 20,3%, a mais elevada desde as eleições de 2002. O voto em branco foi de 2,7%, e os votos nulos 6,1%.

Os eleitores que não votaram têm que justificar a ausência no prazo de 60 dias. A justificação é analisada por um juiz eleitoral. Caso a ausência não seja justificada, ou se o juiz não aceitar a justificação, o eleitor tem de pagar uma multa de 3,61 reais (81 cêntimos) por votação em que não compareceu. Os brasileiros que deixam de votar em três atos consecutivos ficam com o seu título eleitoral cancelado.

Neste domingo, os brasileiros foram às urnas para escolher um novo Presidente, membros do Parlamento (Câmara dos Deputados e Senado), além de governadores e legisladores regionais em todo o país. A decisão sobre o sucessor de Michel Temer como 38.º Presidente da República Federativa do Brasil fica assim adiada para 28 de outubro

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Jair Bolsonaro, capitão reformado do Exército, cavalga no fervor anti-PT da população ressentida com os casos de corrupção nos Governos de Lula e Dilma (2002-2016). O candidato da extrema-direita, alegadamente esfaqueado durante uma ação de campanha na cidade de Juiz de Fora, Minas Gerais, liderava as sondagens de intenção de voto e procurava uma vitória logo na primeira volta eleitoral.

Lideradas por mulheres, o movimento #EleNão reuniu milhares de pessoas em todas as capitais estaduais, em denúncia ao caráter machista e misógino do discurso e propostas do candidato da extrema-direita, além das suas posições conservadoras em questões de género e sexualidade. A ação ganhou força nas redes sociais e apoio internacional, incluindo de um grupo de deputadas portuguesas de esquerda.

Fernando Haddad, ex-presidente da Câmara de São Paulo e nomeado por Lula como o nome petista para a disputa após a Justiça Eleitoral barrar o ex-Presidente da competição, subiu rapidamente nas sondagens ao ser anunciado candidato, mas permaneceu estagnado em segundo lugar nesta última semana, com 25%* dos votos.

Numa possível segunda volta, a última sondagem Ibope/Estado/TV Globo, divulgada este sábado, aponta um empate técnico entre Bolsonaro e o petista no limite da margem de erro (52% a 48%*). O cenário dá margem de vitória ao capitão reformado.

Ao contrário das previsões de uma possível renovação na disputa eleitoral, a busca por uma terceira via, ou seja, um candidato que não representasse uma polarização entre esquerda e direita, não teve lugar.

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