Tiago Petinga / Lusa

A porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, fala à imprensa após a reunião de hoje com o secretário-geral do Partido Socialista, António Costa

A Bolsa de Lisboa foi a praça europeia que mais caiu esta segunda-feira, com os investidores assustados com as declarações de Catarina Martins e António Costa sobre um possível acordo de Governo à esquerda.

O principal índice, o PSI 20, recuou mais de 3%, com o setor bancário a sair fortemente penalizado. Os analistas admitem que a queda é, simultaneamente, “uma correção” às subidas da última semana, mas também uma resposta “à instabilidade provocada pela possibilidade de um Governo de esquerda” em Portugal.

Esta segunda-feira, no final da reunião entre BE e PS, Catarina Martins anunciou que “o Governo de Passos Coelho e Paulo Portas acabou”, enquanto António Costa admitiu que estavam reunidas condições para “aproximar posições e reduzir divergências”.

“Uma aliança da esquerda parlamentar, no sentido de viabilizar um governo PS deve, no mínimo, assustar qualquer agente nos mercados financeiros, porque as linhas programáticas são muito distintas, ressuscita-se o tema da renegociação da dívida e já houve até discursos antieuropeístas”, alerta Pedro Ricardo Santos, gestor da XTB, ao Diário de Notícias

.

“Em Portugal, a influência de factores endógenos é agora maior que os exógenos”, explicou ainda ao Diário Económico. “Os cenários políticos de governabilidade estão a lançar alguns receios que estavam afastados há algum tempo. Apesar das medidas fraturantes defendidas pelos partidos mais à esquerda do PS estarem afastadas, a verdade é que a memória das experiências do Syriza na Grécia estão ainda bem frescas. Qualquer agente de mercados olha para esta questão com muita preocupação”, alerta o gestor.

ZAP