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Bob Dylan é o surpreendente vencedor do Prémio Nobel da literatura de 2016, “por ter criado novas expressões poéticas no quadro da grande tradição da música norte-americana”. É caso para dizer: “os tempos estão a mudar”.

O prémio máximo da literatura, anunciado esta quinta-feira pela Academia sueca, é atribuído pela primeira vez a um músico. Sara Danius, secretária permanente do júri que atribui o galardão, descreve Dylan como um “poeta maravilhoso“.

Instada a escolher uma canção emblemática do Nobel da Literatura, Sara Darius disse que o álbum Blonde on Blonde, de 1966, “é um exemplo extraordinário da sua forma brilhante de rimar e do seu pensamento pictórico”.

A representante da Academia Sueca lembrou ainda, quando questionada sobre a especificidade da poesia de Dylan, que foi escrita para ser cantada e que também Homero e Safo, há mais de dois mil anos, escreveram poesia para ser ouvida.

Bob Dylan é o nome artístico de Robert Allen Zimmerman, compositor, cantor, pintor, ator e escritor norte-americano nascido a 24 de maio de 1941 no estado de Minnesota.

Neto de imigrantes judeus russos, Dylan escreveu os seus primeiros poemas aos 10 anos e, ainda adolescente, aprendeu piano e guitarra sozinho.

Começou a cantar em grupos de rock, imitando Little Richard e Buddy Holly, mas quando foi para a Universidade do Minnesota em 1959, voltou-se para a folk music, impressionado com a obra musical do lendário cantor folk Woody Guthrie, que foi visitar em Nova Iorque em 1961.

Em 2004, foi eleito pela revista Rolling Stone o sétimo maior cantor de todos os tempos e, pela mesma revista, o segundo melhor artista da música de todos os tempos, ficando atrás somente dos Beatles.

Uma das suas principais canções, “Like a Rolling Stone“, foi escolhida como uma das melhores de todos os tempos.

Em 2012, Dylan foi condecorado com a Medalha da Liberdade pelo presidente dos Estados Unidos Barack Obama.

Bob Dylan sucede à bielorussa Svetlana Alexievitch, laureada com o Nobel da Literatura em 2015.

Atribuído pela primeira vez em 1901, ao francês Sully Prudhomme, o Nobel da Literatura, um dos mais mediáticos ao lado do Nobel da Paz, é sempre anunciado a uma quinta-feira, normalmente na primeira semana de outubro, na mesma semana em que os outros quatro prémios criados por Alfred Nobel são anunciados.

Este ano, no entanto, o prémio para a área da Literatura foi o último a ser anunciado, algo que a Academia Sueca atribuiu a questões de calendário, mas que os meios de comunicação suecos suspeitam dever-se à dificuldade dos membros em chegar a um acordo sobre um nome.

Entre os favoritos nas casas de apostas estavam queniano Ngũgĩ wa Thiong’o e o japonês Haruki Murakami.

AF, ZAP