Michiel1972 / Wikimedia

O Hotel Bilderberg, na Holanda, foi o palco da primeira reunião, em 1954, e deu origem ao nome “Grupo Bilderberg”

O encontro anual do grupo Bilderberg vai discutir a nova Administração norte-americana, as relações transatlânticas, a proliferação do populismo e o papel da Rússia a nível internacional, refere um comunicado da organização do encontro, que começa hoje nos Estados Unidos.

A reunião vai decorrer em Chantilly, na Virginia, Estados Unidos, até domingo, e além de discutir a presidência de Donald Trump, as relações entre os dois lados do Atlântico, a Rússia e o incremento do populismo, vai também analisar o “rumo” da União Europeia, a China, o Próximo Oriente e a proliferação nuclear.

Os outros temas em análise prendem-se com a situação do emprego, a “guerra contra a informação” e levanta ainda a questão sobre a possibilidade de “abrandamento” da globalização.

Os 13 pontos em debate não incluem explicitamente os conflitos na Síria, Iraque e Afeganistão ou de forma direta as questões relacionadas com o terrorismo.

Segundo a última edição do semanário Expresso, António Mexia, presidente executivo da EDP, e José Luís Arnaut, ex-ministro adjunto de Durão Barroso e membro do conselho consultivo do Goldman Sachs, são os dois convidados portugueses a participar no encontro.

Segundo o jornal, os convites a Mexia e Arnaut foram endereçados por Durão Barroso, presidente não executivo do Goldman Sachs e membro permanente do comité de directores da organização, que em 2015 substituiu Francisco Pinto Balsemão no Comité Diretor de Bilderberg, um dos clubes mais influentes e secretos do mundo.

António Mexia repete a presença de 2016, ano em que Durão Barroso convidou também a ex-ministra das finanças Maria Luis Albuquerque para a “reunião mais secreta do mundo“.

Clube de Bilderberg

O grupo de Bilderberg reúne-se todos os anos desde 1954, uma reunião fechada cujos participantes só são revelados na véspera e a localização apenas um mês antes da conferência.

A conferência reúne líderes europeus e dos Estados Unidos, especialistas nas áreas da defesa e da economia, além de banqueiros, empresários da área da comunicação social ou mesmo membros das casas reais europeias, mas tudo o que se passa e é discutido não pode ser atribuído a ninguém, seguindo-se a chamada Chatham House Rule.

Além do presidente Marcelo Rebelo de Sousa e do ex-presidente Jorge Sampaio, passaram pelos encontros personalidades como Durão Barroso e Ferro Rodrigues (2003), Santana Lopes e José Sócrates (2004), Rui Rio e António Costa (2008), Paulo Portas e António José Seguro (2013), quase todos primeiros-ministros ou candidatos ao cargo.

Dois terços dos participantes vem do velho continente, mas os Estados Unidos, o Canadá e a Turquia também fazem parte do grupo restrito que participa nos encontros de Bilderberg.

Em 2015, a jornalista espanhola Cristina Martín Jiménez, que investiga o clube Bilderberg há 10 anos, conclui que a crise actual não é uma mera casualidade, mas o resultado de um “plano dos Bilderberg para beneficiar os ricos”.

“A casualidade, tal como ela nos tem sido apresentada, que chegou uma crise de um dia para o outro, a casualidade não existe, o que existe é uma inteligência, um cérebro que pensa como é possível subtrair as soberanias nacionais e como fazer com que todo o dinheiro fique em suas mãos”, assegura Cristina Martín Jiménez.

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