Manuel de Almeida / Lusa

Joe Berardo colocou a hipótese de chamar Vítor Constâncio a testemunhar a seu favor no processo que a Banca lhe moveu. O ex-governador do BdP defende que a CGD deveria ter agido antes da queda das ações.

Depois das declarações de Vítor Constâncio a defenderem que a Caixa Geral de Depósitos “deveria ter tomado decisões antes de as ações terem começado a descer“, Joe Berardo parece ter encontrado um aliado para testemunhar a seu favor. Esta hipótese foi admitida por fonte oficial da Fundação José Berardo e surge no âmbito do processo que a banca moveu contra o próprio para recuperar 962 milhões de euros.

Constâncio não entende porque razão a Caixa não fez nada antes da queda das ações e diz que “essas decisões são da exclusiva responsabilidade dos órgão de gestão da Caixa”. As declarações foram feita durante o programa 360º da RTP3, na passada sexta-feira.

Em qualquer momento, a Caixa podia travar o empréstimo, apropriar-se das ações que estavam em penhor e vendê-las”, explicou o antigo governador do Banco de Portugal em entrevista ao DN/TSF.

A posição tomada por Constâncio foi criticada por Jorge Tomé, ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos. “Como é possível a um ex-governador do BdP vir dizer que o problema é do credor, e não é do mutuário?”, questionou Tomé, citado pelo jornal Público

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Obviamente, Berardo partilha da opinião de Constâncio e já o tinha dito durante a comissão parlamentar de inquérito. Segundo ele, a Caixa só perdeu dinheiro porque não executou as ações do BCP. Assim sendo, o madeirense admitiu “seriamente arrolar como testemunha o dr. Vítor Constâncio, o ex-governador do BdP”.

Berardo pode ter ainda outros trunfos na manga e, de acordo com o jornal ECO, pode ainda chamar a testemunhar outras personalidades com responsabilidade nos diversos eventos ocorridos em 2007″.

A CGD detinha 185 milhões de ações do BCP, que foram concedidas por Berardo como garantia do seu empréstimo de 350 milhões de euros. No entanto, estas ações começaram a entrar numa espiral descendente, perdendo continuamente o seu valor.

O ex-governador do Banco de Portugal regressou esta terça-feira à comissão de inquérito à gestão na CGD e está, neste momento, a explicar a sua versão dos acontecimentos que conduziriam ao crédito ruinoso de 350 milhões de euros a Berardo.

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