António Cotrim / Lusa

O Tribunal Constitucional confirmou a multa de 3,7 milhões de euros que foi aplicada pelo Banco de Portugal ao banqueiro Ricardo Salgado, mas é quase impossível cobrar esse valor. O ex-presidente do BES tem os bens arrestados e já disse que é a filha que lhe paga as contas.

Após a decisão do Tribunal Constitucional (TC), Ricardo Salgado não tem mais escapatória e está impossibilitado de recorrer da multa de 3,7 milhões de euros que lhe foi aplicada pelo Banco de Portugal (BdP). Mas isso não significa que a Justiça vá de facto cobrar a verba.

O Tribunal da Concorrência, em Santarém, que deverá fazer as diligências necessárias para cobrar o montante, terá dificuldades nesse sentido, como analisa o Correio da Manhã (CM).

Isto porque Ricardo Salgado tem o seu património arrestado desde 2014, no âmbito do processo-crime do Grupo Espírito Santo (GES). O banqueiro e a mulher terão ainda uma conta na Suíça

, com cerca de 1,5 milhões de euros, que estará também apreendida no âmbito de outro inquérito-crime, como nota o jornal.

O CM frisa que “este arresto prevalece sobre outras decisões judiciais” e, assim, a multa só poderá ser cobrada se Salgado tiver outros bens que não tenham sido apreendidos.

O ex-líder do BES já disse que é a filha Catarina, que mora na Suíça, que lhe paga as despesas com as habitações em Cascais e na Comporta.

Salgado também já terá dado a entender que não tem como pagar a multa de 3,7 milhões de euros, conforme um acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa que é citado pelo CM.

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