Manuel Fernando Araújo / Lusa

O Benfica apelou à Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) e à Federação Portuguesa de Futebol (FPF) para que nomeiem “árbitros estrangeiros internacionais para todos os jogos” das ‘águias’ e do FC Porto “até final da época”.

Num extenso comunicado divulgado no site oficial, sob o título “Arbitragem e VAR ao serviço da ‘competitividade do futebol português’”, o Benfica critica a arbitragem do clássico de sábado, com o FC Porto, que terminou com o triunfo dos ‘dragões’, por 3-2.

“Face ao histórico das constantes insinuações, ameaças, coações, pressões e suspeitas sobre as equipas de arbitragem, como pudemos constatar ainda esta semana, por parte de diversos responsáveis do FC Porto e em nome da preservação da verdade desportiva, apelamos à LPFP e à FPF que tomem as medidas adequadas e diligenciem no sentido de nomearem árbitros estrangeiros internacionais para todos os jogos do Benfica e FC Porto até ao final desta época”, pede o clube lisboeta.

O Benfica considerou que “a verdade desportiva foi claramente desvirtuada com diversas decisões da equipa de arbitragem e do VAR com influência direta no jogo e no resultado” e que a atuação da equipa liderada pelo árbitro Artur Soares Dias “merece a mais veemente das denúncias”.

O clube lisboeta enumerou alguns lances da partida da 20.ª jornada da I Liga para justificar a “dualidade de critérios” da equipa de arbitragem, como “uma clara agressão de Marega a Taarabt, que passou totalmente incólume”, “uma entrada de Otávio sobre Rafa (…) e uma entrada de Alex Telles sobre André Almeida”, que “não mereceram qualquer cartão amarelo”.

O Benfica refere que “o pior estava guardado para o minuto 35”, quando Soares Dias e o VAR “não quiseram ver o que todas as imagens mostram” e assinalaram uma grande penalidade favorável ao FC Porto, mesmo perante uma “falta nítida de Soares, que agarra a camisola e empurra Ferro”.

“A conivência e passividade perante tudo o que se passou antes, durante e após o jogo, o fechar de olhos às agressões, os erros com direta influência no resultado, a nomeação perfeita e a mentira da fonte da federação denunciam e colocam a nu a tentativa desesperada de tudo ser feito para, a exemplo do que acontece há décadas, se influenciar e desvirtuar a verdade desportiva”, denunciou o emblema da Luz.

Os ‘encarnados’ informam ainda que vão solicitar a despenalização de Julian Weigl, que foi admoestado com o cartão amarelo, “num lance em que nem sequer tocou no adversário”.

O FC Porto venceu por 3-2 o Benfica no sábado e reduziu para quatro pontos a desvantagem para o líder da I Liga. Sérgio Oliveira, Alex Telles, de grande penalidade, e Rúben Dias, na própria baliza, apontaram os tentos dos ‘dragões’, enquanto Carlos Vínicius ‘bisou’ para os ‘encarnados’.

“A absoluta falta de vergonha”

O diretor de comunicação do FC Porto não tardou a reagir ao comunicado do SL Benfica. Através do Twitter, Francisco J. Marques caracterizou o pedido dos ‘encarnados’ como “a absoluta falta de vergonha”.

O Benfica sabe que não é possível e que é ofensivo para a arbitragem portuguesa”, escreveu o membro da estrutura portista. No entanto, num novo comunicado, o Benfica realçou que o novo regulamento aprovado em 2016 “passou a possibilitar a nomeação de árbitros estrangeiros nas competições portuguesas”.

“Importa recordar que este novo regulamento foi aprovado até por clube cujo porta-voz, assustado com tal possibilidade, veio de forma apressada e incompetente afirmar que tal era impossível e, talvez numa autocrítica ao clube que representa, considerando que seria ofensivo para a arbitragem portuguesa. Depois de sucessivas críticas e ameaças aos árbitros nacionais e perante uma proposta prevista nos regulamentos, afinal do que têm medo?“, lê-se ainda no comunicado das ‘águias’.

“Quando podiam tirar as dúvidas e defrontar-nos com árbitro estrangeiro acabaram eliminados pelo Braga, a quem goleiam sempre“, escreveu Francisco J. Marques.

O diretor de comunicação portista referia-se ao jogo da meia-final da Liga Europa, em 2011, em que o Benfica foi eliminado pelo Braga, num resultado agregado de 2-2, no qual valeram os golos fora como critério de desempate. Nessa edição, o FC Porto eliminou o Villarreal nas ‘meias’, antes de vencer os bracarenses na final.

“Esses dois jogos tiveram árbitros estrangeiros. São mesmo ridículos”, escreveu ainda.

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