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O ex-presidente do conselho de administração da SONAE, Belmiro de Azevedo

A morte de Belmiro de Azevedo, aos 79 anos, gerou uma onda de elogios a um dos homens mais ricos de Portugal que dizia ter um “comportamento de pobre”. A mais velha das suas irmãs também morreu nesta quarta-feira, vítima de doença prolongada.

Ana Augusto de Azevedo, a mais velha das irmãs de Belmiro de Azevedo, morreu, vítima de doença prolongada, no Instituto Oncológico do Porto, algumas horas depois de ter sido anunciada a morte do empresário, que também estava internado. Belmiro era o mais velho de oito irmãos e na sua biografia diz-se que “os mais novos lhe obedecem”, lembra o Expresso.

Tenho fama de rico, comportamento de pobre. Estou bem assim.” Esta é uma das várias frases mediáticas associadas a Belmiro de Azevedo, um dos empresários que mais marcou a economia portuguesa dos últimos anos e que era apontado como um dos mais ricos de Portugal, com uma fortuna estimada em 1,26 mil milhões de euros.

Famosas são as suas críticas a políticos e aos sindicatos, de quem dizia que defendiam “os medíocres” e “empregos que não servem para nada”. Chegou a dizer que Marques Mendes, ex-líder do PSD, “nem para porteiro da Sonae servia” por “falar em excesso”. Classificou Marcelo Rebelo de Sousa como “pluri-pluri”, porque “tem dez respostas, todas boas, para a mesma pergunta”, e classificou Mário Soares como “mau gestor” e Ramalho Eanes como “inconsequente”.

“O maior empresário português do pós-25 de Abril”

Mas na hora do adeus, é do mundo da política que chegam os principais elogios a Belmiro. O Presidente da República já lamentou a morte do empresário, destacando as suas capacidades de “liderança, determinação, visão de futuro e empenhamento social e cultural”.

Marcelo Rebelo de Sousa refere, num curto comunicado, que o empresário foi uma “figura marcante” do meio empresarial e da sociedade portuguesa, apresentando “sentidas condolências” à família.

“Com a morte do engenheiro Belmiro de Azevedo, Portugal perdeu uma personalidade marcante e uma voz livre”, refere, por seu lado, Cavaco Silva. O antigo Presidente da República destaca que “a nossa economia beneficiou enormemente com a sua ousadia e a sua visão”.

O ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, fala da morte de Belmiro como “uma grande perda para Portugal”, destacando que foi “muito inovador” em termos de gestão.

Já os ex-ministros da Economia e das Finanças, Daniel Bessa e Eduardo Catroga, respectivamente, concordam em dizer que Belmiro foi “o maior empresário português do pós-25 de Abril”.

O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, recorda Belmiro como um homem “muito corajoso” e uma pessoa “muito desassombrada”

que “dizia muito o que lhe ia no peito”. “Não dizia aquilo que as pessoas gostavam de ouvir, dizia aquilo que achava que devia dizer, nos momentos certos”, constata o autarca que passou pela Igreja de Cristo Rei, no Porto, para prestar uma última homenagem ao empresário.

“Um grande homem do Norte”

Para o candidato à liderança do PSD, Rui Rio, Belmiro foi “um verdadeiro empresário”, que “criou milhares de empregos” e “fez crescer a economia”.

Pedro Santana Lopes, o outro candidato à liderança dos sociais-democratas, refere que o empresário tinha “uma visão que ultrapassou em muito as nossas fronteiras”, considerando que “tanto deu a Portugal” e “tanto contribuiu para a economia portuguesa”.

Do mundo empresarial, chegam também os elogios de Rui Nabeiro, fundador do grupo Delta Cafés, que fala de Belmiro como “um homem extraordinário” e “um exemplo em Portugal para todos os empresários”. “Foi um grande criador”, conclui.

Destaque ainda para a homenagem de Pinto da Costa, presidente do FC Porto, que lembra que Belmiro foi atleta e dirigente do clube da Invicta e que salienta que o empresário foi “um grande homem do Norte, que sempre defendeu os ideais nortenhos e que nunca teve medo de assumir as suas posições publicamente”.

De Angola, chegam os pêsames de Isabel dos Santos, com quem a Sonae de Belmiro fez negócios. A empresária fala de uma “perda enorme”, considerando que “Belmiro de Azevedo deixa no mundo empresarial português, e em todos os que consigo se cruzaram, uma marca indelével, de determinação, trabalho, capacidade de concretização e liderança”.

PCP contra voto de pesar

O Parlamento já aprovou um voto de pesar pela morte de Belmiro de Azevedo, com os votos favoráveis de PSD, CDS, PS e PAN, as abstenções do Bloco de Esquerda e dos Verdes, e o voto contra do PCP.

O empresário de 79 anos morreu nesta quarta-feira, depois de décadas ligado à Sonae, onde chegou há mais de 50 anos, e que transformou num império com negócios em várias áreas e extensa actividade internacional.

O velório de Belmiro de Azevedo realiza-se nesta quinta-feira, na Paróquia de Cristo Rei, decorrendo a missa de corpo presente no mesmo local, às 16 horas, seguida de uma cerimónia fúnebre reservada à família.

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