Miguel Guimarães / Facebook

Miguel Guimarães, o novo bastonário da Ordem dos Médicos

O bastonário da Ordem dos Médicos afirma que os clínicos deixaram, de uma forma geral, de acreditar no ministro da Saúde Adalberto Campos Fernandes, que “já ultrapassou a linha vermelha” e propõe o fim do tratamento dos médicos por “doutor”.

O bastonário da Ordem dos médicos, Miguel Guimarães, quer que os médicos deixem de ser chamados de “doutores” e prepara-se para avançar com a proposta no Conselho Nacional Executivo da Ordem dos Médicos.

Há tantos licenciados. Toda a gente é doutor. Gostava de uma designação nova. Doutor é um título que corresponde a uma licenciatura ou a um mestrado. Estas nomenclaturas já estarão ultrapassadas”, diz Miguel Guimarães.

De acordo com o Público, Miguel Guimarães que ainda não pensou numa designação alternativa. A ideia surge depois de ter sido aprovada uma licenciatura em medicina tradicional chinesa, “a cereja no topo do bolo da nossa indignação“, refere o bastonário da Ordem dos Médicos.

“Os médicos já não acreditam no ministro da Saúde”

“Os médicos já não acreditam no ministro da Saúde. E os médicos representam muito mais do que o bastonário. O ministro ultrapassou a linha vermelha, não só com os concursos para os recém-especialistas, mas com a medicina tradicional chinesa”, afirma o bastonário  em declarações à Lusa.

Sobre a relação institucional entre a Ordem dos Médicos e o ministro da Saúde, o bastonário afirma que irá ser “difícil, muito difícil”, já que “neste momento, não tenho razões para acreditar no ministro da Saúde”.

Miguel Guimarães recorda que o ministro Adalberto Campos Fernandes anunciou que os concursos para os médicos recém-especialistas hospitalares, que acabaram a especialidade há largos meses, iam abrir “dentro de dias”, sem que tal se tenha verificado

. “Já lá vai quase um ano”, comentou o bastonário.

Esta quinta-feira, elementos da Ordem dos Médicos acompanharão ao Parlamento um grupo de recém-especialistas da área hospitalar, para entregar uma carta a contestar o facto de 700 profissionais estarem há largos meses à espera da abertura de concurso.

Este atraso na abertura dos concursos para os 710 médicos especialistas que concluíram o internato há cerca de 10 meses é, para Miguel Guimarães, uma “vergonha e um drama nacional”.

Além da questão dos concursos, o representante dos médicos alude à publicação da portaria que valida a criação de ciclos de estudo que conferem o grau de licenciado em medicina tradicional chinesa. A portaria recebeu a contestação imediata da Ordem dos Médicos, que acusou o Governo de ameaçar a saúde dos portugueses validando cientificamente práticas tradicionais chinesas através de uma licenciatura.

A Ordem admite, por isso, avançar para “formas inéditas” de mostrar o descontentamento dos médicos, mas ainda não explicou de que forma o fará.

 

[sc name=”assina” by=”ZAP” url=”” source=”Lusa”]