O ex-presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, reconheceu que a decisão de patrocinar a invasão do Iraque com a realização da Cimeira das Lages, a 16 de março de 2003, é “legitimamente controversa” e que, com os dados hoje disponíveis, “provavelmente” não teria apoiado os Estados Unidos (EUA).

Segundo noticiou o Expresso esta segunda-feira, na primeira edição do podcast “Atlantic Talks”, organizado pela Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), Barroso responsabilizou os EUA pelo que aconteceu depois da invasão ao Iraque, por não existirem armas de destruição maciça e porque foram cometidos “erros muito graves”.

“[O processo] foi muitíssimo mal gerido. Limpar toda a administração do Iraque foi um erro. Não foi sensato”, culpabilizou o também antigo primeiro-ministro.

Barroso sublinhou que Portugal foi então confrontado com uma decisão muito complexa: apoiar a estratégia de dois dos seus mais antigos aliados, EUA e Reino Unido, e de Espanha, ou manter uma posição mais neutral, acabando por optar pela primeira.

“A minha posição foi muito prudente desde o início. ‘Não queremos a guerra, mas não somos nós, Portugal, que decidimos se há uma guerra ou não. Se houver uma guerra entre o nosso maior aliado, uma grande democracia, e a ditadura de Saddam Hussein não podemos ser neutros'”, reforçou.

Barroso negou que a sua ascensão na Comissão Europeia tenha estado relacionada com a Cimeira das Lajes, recordando, precisamente, que França e Alemanha estiveram desde sempre contra a decisão. “[Essa ilação] não tem base. Pelo contrário, não se pode ser presidente da Comissão Europeia sem o apoio de França e Alemanha”, assegurou.

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