Pete Souza / White House

Barack Obama vai ser o primeiro Presidente norte-americano em funções a visitar Hiroshima, a primeira cidade japonesa destruída por uma bomba atómica. A deslocação acontece durante a sua próxima viagem ao Japão, em maio.

“O presidente vai fazer uma visita histórica a Hiroshima, com o primeiro-ministro Shinzo Abe, para sublinhar o seu compromisso na procura da paz e da segurança num mundo sem armas nucleares”, anunciou a Casa Branca esta terça-feira.

A simbólica visita ocorrerá a 27 de maio, depois de Obama participar numa cimeira do G7 (grupo dos sete países mais industrializados) em Ise-Shima, no sul do Japão, disse o porta-voz Josh Earnest.

O conselheiro adjunto de Segurança Nacional, Ben Rhodes, acrescentou que Obama não vai “revisitar a decisão de usar a bomba atómica” no final da guerra. “Em vez disso, irá oferecer uma perspetiva do que está para vir, focada no nosso futuro partilhado”, indicou o conselheiro.

Há meses que os rumores de uma visita do presidente norte-americano e Nobel da Paz à cidade circulavam no Japão e nos Estados Unidos e aumentaram há algumas semanas quando o secretário de Estado, John Kerry, se deslocou ao local.

“Nunca esquecei as imagens” expostas, que “revolvem o estômago”, confessou Kerry a 11 de abril, após uma visita ao museu da cidade martirizada, que recorda a fornalha nuclear que devastou Hiroshima.

A 6 de agosto de 1945, às 8h15, o bombardeiro norte-americano Enola Gay lançou uma bomba atómica sobre Hiroshima. Pelo menos 140 mil pessoas morreram, incluindo os que sobreviveram à explosão mas não resistiram durante muito tempo às radiações e queimaduras.

A deslocação é um exercício delicado para Obama – que se arrisca a ser criticado nos Estados Unidos, mas que deverá ser bem acolhido no Japão -, mas é também lógica para um presidente que fez do desarmamento nuclear um dos pilares dos seus dois mandatos.

Os ataques a Hiroshima e três dias depois a Nagasaki (74 mil mortos) precipitaram a capitulação do Japão e o final da Segunda Guerra Mundial, a 15 de agosto de 1945.

ZAP / Lusa