Rodrigo Antunes / Lusa

O Banco Montepio criou o Banco de Empresas Montepio (BEM), uma nova unidade que se vai dedicar a financiar empresas com mais de 20 milhões de euros de volume de negócios. O Público avança que este novo banco pode tirar os melhores clientes ao Montepio – algo que foi desmentido pelo chairman Carlos Tavares. 

O ‘chairman‘ do Montepio, Carlos Tavares, anunciou que o BEM – Banco de Empresas Montepio “servirá as empresas do segmento médio e alto”, com volume de negócios acima de 20 milhões de euros.

De acordo com o Público, o BEM pode vir a retirar até 2,3 mil milhões de euros de activos ligados a grandes clientes cumpridores do Banco Montepio nos próximos anos. Isto mantendo os activos tóxicos e as imparidades no Montepio, segundo o mesmo diário.

“Ao deixar os activos tóxicos dentro do Banco Montepio, absorvendo apenas os rentáveis, a criação do BEM pode vir a contribuir para desvalorizar o Banco Montepio, que é o principal activo da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG)”, aponta o jornal.

“O que for bom para o BEM será bom para o Montepio”

Carlos Tavares nega a ideia avançado pelo Público, frisando que “não há transferência de carteira de clientes do Montepio para o BEM”, conforme uma carta enviada aos colaboradores do Banco que é citada pelo Eco.

“As referências a um ‘banco bom’ e a um banco em que ficam os activos ‘tóxicos’, para além de revelar profundo desconhecimento, demonstra grande desconsideração pela estabilidade de um grupo bancário que tem desenvolvido um trabalho sério com vista a melhor servir os seus clientes”, acrescenta Carlos Tavares, concluindo que isto significa que “o BEM já captou a atenção de muitos empresários e, provavelmente, a preocupação de concorrentes”.

O “universo das empresas potenciais clientes do BEM foi definido numa lógica de segmentação de clientes

feita de acordo com a dimensão e as suas necessidades específicas e não pela qualidade das empresas”, sustenta ainda o ‘chairman‘ do Montepio.

“O crédito existente permanece no Banco Montepio, tal como o novo crédito de curto prazo e as transacções correntes das empresas (contas correntes, cartões, TPA, etc.)”, frisa ainda o administrador, apontando que “o BEM especializar-se-á no novo crédito de médio e longo prazo e nos novos financiamentos baseados em instrumentos financeiros para o seu segmento de clientes, bem como em operações de mercado em geral”.

“Os resultados do BEM reflectir-se-ão directamente nos do Banco Montepio, instituição onde é feita a consolidação de contas”, atesta ainda, considerando que “o que for bom para o BEM será bom para o Banco Montepio”.

Num encontro para a apresentação da nova imagem do Banco Montepio, Carlos Tavares frisou também que o BEM “pretende ocupar um espaço que está vago na banca portuguesa“, abrindo 10 balcões especializados por todo o país, com “serviços integrados de banca comercial e de investimento” dedicados às empresas.

O objectivo é encontrar “fontes alternativas de financiamento, de mercado, capital de risco, que hoje as empresas, dado o grau de alavancagem que ainda têm, precisam urgentemente de ter disponibilizado”, conclui Carlos Tavares.

Em 2018, o Montepio conseguiu resultados positivos de 50,9 milhões de euros com a carteira de negócios do segmento das grandes empresas.

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