Mário Cruz / Lusa

Vários peritos pedem o uso obrigatório de máscara na Festa do Avante!, mas o PCP só atende às recomendações feitas pela Direção-Geral da Saúde.

Depois de muita contestação, a Festa do Avante! vai mesmo realizar-se, entre 4 e 6 de setembro. A decisão final vai ser tomada esta semana pela Direção-Geral da Saúde (DGS). Os comunistas viram-se obrigados a ceder a algumas exigências, como por exemplo a redução da lotação.

Como não há precedentes deste evento nesta altura de pandemia, a solução passa por encontrar regras equivalentes nas atividades gerais, escreve o semanário Expresso.

Tendo isto em conta, o PCP apresenta um recinto maior, com 30 hectares; palcos com lugares marcados e ao ar livre; corredores sinalizados; e uma lotação máxima de um terço do recinto, o que equivale a cerca de 33 mil pessoas.

Este ano será obrigatório o uso de máscara no acesso a espaços e serviços de atendimento, haverá álcool gel distribuído no recinto e existirá um maior número de eventos ao ar livre.

Médicos e especialistas ouvidos pelo Expresso chamam a atenção para os riscos da rentrée política do PCP. Os peritos defendem que o uso de máscara deverá ser sempre obrigatório. No entanto, os comunistas determinam que, nos concertos ao ar livre, o uso é da “estrita decisão de cada um”.

Além das “regras de distanciamento físico nas diversas atividades (incluindo a criação de assistentes de plateia)”, serão também criados “corredores de circulação de sentido único, separação de canais de entrada e saída e maior fluidez de acesso a transportes públicos”, assegurou o partido na sexta-feira, acrescentando que o horário da festa também vai sofrer alterações.

“É irrelevante estarmos perante um evento político, religioso, clubístico ou outro. Os eventos de massa têm riscos de saúde associados e por isso estão cancelados um pouco por todo o mundo. Além disso, há a questão da comunicação: é difícil explicar à sociedade porque se pode fazer umas coisas e outras não”, explicou o presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, Ricardo Mexia.

Apesar dos esforços, Mexia questiona as acessibilidades da festa. Além disso, adverte que o ambiente é propício às pessoas se aproximarem e conviverem.

Por sua vez, o professor de epidemiologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Manuel Carmo Gomes, define três áreas críticas: a zona de alimentação, as casas de banho, e as entradas e saídas. Também é um dos que defende o uso obrigatório de máscara.

Num ano de festivais cancelados e espaços noturnos condicionados, os “jovens que vão a esta Festa vão querer espairecer, libertar alguma tensão, tornando mais difícil o cumprimento das regras”, avisa Paulo Santos, médico e professor na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Apesar das opiniões dos peritos, o PCP continua focado apenas nas recomendações da Direção-Geral da Saúde. Os comunistas aguardam a decisão da DGS, que ainda está a analisar o documento enviado esta sexta-feira com os moldes de realização da Festa do Avante!.

Partidos mudaram planos das rentrées

As ‘rentrées’ políticas não vão ser as habituais e, devido à covid-19, os partidos encontraram outras formas de arrancar a nova sessão legislativa, à exceção do PCP, que mantém a Festa do Avante! mas com regras.

O BE cancelou o habitual Fórum Socialismo, mas fonte bloquista disse à Lusa que o partido “fará reentrées distritais nas duas primeiras semanas de setembro, de menor dimensão e com eventos sempre ao ar livre, com programas variados: um périplo por setores afetados pela crise, debates temáticos, programação de cinema”, e “sempre cumprindo todas as regras de segurança sanitária”.

De acordo com a mesma fonte, a coordenadora do BE, Catarina Martins, vai estar presente “em vários desses momentos”, por exemplo, nos distritos de Viseu, Braga, Porto e Setúbal.

Contactado pela Lusa, o PS lembra que estão agendados os congressos federativos para o fim de semana de 12 e 13 de setembro.

Por seu turno, o CDS-PP, através da secretaria-geral, indicou que o partido pretende assinalar o reínício da atividade parlamentar e política nos Açores, onde em outubro vão decorrer eleições regionais, mas remete os detalhes do evento para o final da próxima semana.

O PSD, em meados de abril e maio, anunciou que este ano não irá realizar a festa do Pontal, no Algarve, nem o Chão da Lagoa, na Madeira, devido à pandemia, justificando a decisão com “as regras do bom senso”. Também a tradicional Universidade de Verão não irá acontecer em 2020.

Questionada pela agência Lusa na sexta-feira, fonte oficial social-democrata indicou que “não está nenhum evento previsto” no âmbito da ‘rentrée’.

“Para já não está nada definido”, diz fonte do PAN, assinalando que o partido não costuma marcar a ‘rentrée’.

Pelo Chega, o presidente demissionário, André Ventura, disse que está marcado um comício no Algarve para dia 26 de setembro, data em que partido já terá novo presidente (eleito em eleições diretas em 05 de setembro e nas quais Ventura será candidato) e nova direção, escolhida na II Convenção Nacional, em 19 e 20 de setembro.

Já a Iniciativa Liberal (IL), outro partido que se estreou na Assembleia da República nesta legislatura, salienta que a “luta pelo liberalismo não para” e que em agosto “tem mantido a sua atividade com os cuidados inerentes ao momento atual, com formatos que garantam todas as condições de segurança sanitária, quer promovidas pela Comissão Executiva, quer pelos núcleos”.

“Só faz ‘rentrée’ [regresso] quem faz ‘sortie’ [saída]”, ou seja, só entra quem sai, aponta a IL, que indica que o presidente e deputado único, João Cotrim Figueiredo, estará em Faro na próxima semana, no fim do mês no Porto e depois nos Açores, em data a agendar.

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