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Fábrica Volkswagen
O impasse que continua na Autoeuropa, com os trabalhadores a manterem o braço-de-ferro com a administração da fábrica do grupo Volkswagen, por causa dos turnos impostos aos sábados, pode levar a empresa a mudar-se para o estrangeiro, nomeadamente para Marrocos, avisa Mira Amaral.
Mira Amaral era o ministro da Indústria de Cavaco Silva quando a Autoeuropa se instalou em Portugal. E agora, o ex-político encara o futuro da empresa em Portugal com preocupação e pessimismo, confessa ao Dinheiro Vivo.
“Se não houver juízo, a Autoeuropa está em situação de desvantagem em relação a outras fábricas que ficariam encantadas por receber novas produções”, aponta Mira Amaral, sublinhando em particular o caso de Marrocos que “está a ter uma expansão fabulosa e tem recebido investimentos da indústria automóvel europeia”.
Assim, Mira Amaral apela ao “bom senso” dos trabalhadores que têm marcada mais uma greve na fábrica de Palmela para 2 e 3 de Fevereiro próximos.
Trabalhadores e sindicatos ainda esperam alterar o novo horário transitório anunciado unilateralmente pela Autoeuropa, no passado mês de Dezembro, para vigorar de Fevereiro a Julho de 2018. Mas a administração da empresa tem sido intransigente e só pretende negociar os novos horários de laboração contínua, que deverão ser implementados a partir do mês de Agosto.
Numa semana com várias reuniões marcadas entre trabalhadores, sindicatos e administração, Mira Amaral diz que não entende a postura dos trabalhadores.
“Os trabalhadores da Autoeuropa têm, no contexto português, salários superiores a muitos colegas de outras fábricas”, atesta o ex-ministro. “Não querem trabalhar ao sábado? Pelo amor de Deus. Temos de ser realistas”, acrescenta, notando que a Volkswagen “faz um investimento fabuloso num produto que já se sabe que vai ter grande aceitação” e que “criou mais postos de trabalho”.
Mira Amaral refere que teme pelo futuro da empresa em Portugal e lembra aos trabalhadores que devem “perceber que a Autoeuropa compete com outras fábricas do grupo alemão”. “Quando a produção deste modelo acabar ou quando for preciso produzir outro modelo, vão aparecer responsáveis de outras fábricas com argumentos que a Autoeuropa não tem depois deste período de greves e de irrealismo laboral
“, constata.Além das questões relacionadas com a remuneração aos sábados, a Comissão de Trabalhadores defende também que o trabalho naqueles dias deveria ser voluntário e não obrigatório, como prevê o novo horário transitório apresentado pela empresa.
No final do ano passado, a administração da Autoeuropa anunciou a intenção de avançar unilateralmente com o novo horário transitório, após a rejeição de dois pré-acordos negociados previamente com duas Comissões de Trabalhadores.
Apesar do protagonismo assumido pelos sindicatos nos últimos meses, a administração da fábrica deverá manter-se fiel à política da empresa de só negociar com a Comissão de Trabalhadores, sendo certo que alguns dos representantes dos sindicatos também integram aquele órgão.
A Autoeuropa estima produzir mais de 240 mil veículos Volkswagen T-Roc em 2018, quase triplicando a produção de 2016, o que levou a empresa a contratar cerca de dois mil novos trabalhadores e a implementar um sexto dia de produção, aos sábados, até Julho deste ano.
Após o tradicional período de férias no mês de Agosto, a Autoeuropa deverá então iniciar a laboração contínua na fábrica de automóveis de Palmela, de forma a satisfazer as muitas encomendas no novo veículo T-Roc, que, segundo fontes da empresa, está a ter uma boa aceitação no mercado.
[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa”]
Brincar com o fogo dá asneira.
É que eu já estou CHEIO de pagar impostos, e NÃO HÁ MESMO ESPAÇO para mais impostos.
Esta gentalha vem para a rua e juntam-se aos do "TRABALHO" mínimo garantido, e os BURROS que fazem alguma coisa pagam a fatura.
É preciso ter "solidariedade" com quem a merece....