Miguel A. Lopes / Lusa

O presidente da Câmara Municipal de Pedrógão Grande, Valdemar Alves (D), com a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, e o primeiro-ministro António Costa

Os três presidentes das Câmaras Municipais de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos desconfiam que os donativos feitos às vítimas dos incêndios em junho podem ter sido desviados.

O Presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, quer que o Ministério Público investigue para onde foi o dinheiro de várias contas abertas por empresas para ajudar os afetados pelo incêndio.

Em declarações à TSF, Valdemar Alves falou em falta de transparência no processo e pediu aos autarcas de Castanheira de Pera e de Figueiró dos Vinhos que façam o mesmo.

Há ainda receios de desvio de donativos de contas abertas no estrangeiro por parte de emigrantes. “Essas são difíceis de controlar” , diz o autarca, sublinhando que as entidades portuguesas não têm qualquer informação sobre o rasto destas verbas.

“Há empresas públicas e particulares que abriram contas em nome dos incêndios de 2017 Pedrógão Grande e nós continuamos sem saber o destino dos valores depositados. Eu desafio os meus colegas de Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos para participarmos e informarmos o Ministério Público desta situação”, disse Valdemar Alves, presidente da Câmara de Pedrógão Grande.

O autarca de Pedrógão conta ainda que há pessoas a receber subsídios em duplicado. “Há um mau estar neste momento em Castanheira de Pera. Uma das ONGs não deu conhecimento ao senhor Presidente da Câmara que iria distribuir alguns subsídios às pessoas prejudicadas na agricultura. Há pessoas que já estão a receber e outras que vão começar a receber da parte do Estado e da Segurança Social mais subsídios”.

Além do pedido ao Ministério Público, os três autarcas vão reunir-se esta terça-feira para decidir sobre outras medidas que possam vir a tomar de forma a esclarecer se houve, ou não, desvios.

Valdemar Alves defende que “todos os fundos deviam ter ido para o Revita“. Para o autarca, “devia ter sido o Estado o protetor das verbas e devia ter feito a respetiva distribuição”.

Quando o fundo foi criado, o governo explicou que, sendo estes donativos privados, “ninguém pode ser obrigado a pôr o dinheiro” no Revita. Com os vários fundos é impossível saber, porém, o valor final arrecadado. Em julho avançou-se com um valor de 13 milhões, mas o autarca de Pedrógão diz que o total não chegou a ser apurado de forma oficial.

Já em agosto, o PSD tinha exigido saber o valor exato dos donativos. A 17 desse mês, pela ocasião da data que marca os dois meses desde o incêndio que matou 64 pessoas, Teresa Morais, vice presidente do PSD, deu ao Governo 30 dias para responder, “mas a verdade é que da última vez não respondeu. A pergunta sobre a quantia exata do valor dos donativos foi feita uma primeira vez a 13 de Julho e não foi respondida até hoje”, criticou.

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