Jorge Abrego / EPA

Patricia Arce, autarca de uma pequena cidade na Bolívia, foi esta quarta-feira arrastada pelas ruas descalça por manifestantes que a cobriram tinta vermelha e a obrigaram a assinar uma carta de demissão.

A Bolívia, recorde-se, enfrenta uma onda de protestos por causa dos resultados da eleições presidenciais de 20 de outubro. Esta quarta-feira, foi confirmada a terceira vítima mortal.

Segundo o relato da BBC, Patricia Arce foi arrastada durante um protesto anti-Governo na cidade de Vinto, na região de Cochabamba, onde é autarca.

Um grupo de manifestantes, precisa a emissora britânica, estava a bloquear uma ponte na cidade quando surgiram rumores de que dois dois outros manifestantes haviam sido mortos numa zona próxima por apoiantes do presidente Evo Morales.

Perante os rumores, o grupo de opositores foi até à Câmara Municipal da cidade, onde encontrou a autarca, a a quem acusou de convencer os apoiantes do presidente da Bolívia a desbloquear a ponte e de ser responsável pelas duas mortes.

Enquanto alguns gritavam “assassina”, um grupo de homens com máscaras no rosto arrastaram a autarca descalça até à ponta, conta a emissora britânica, dando conta que Patricia Arce foi obrigada a ajoelhar-se. Depois, os manifestantes cortaram-lhe o cabelo, cobriram-na de tinta vermelha e obrigaram-na a assinar uma carta de demissão.

“Não tenho medo de dizer a verdade. Estou num país livre. Não me vou calar. Se me querem matar, que me matem. Como já disse antes, por este processo de mudança [forma pela qual o partido no poder apelida o movimento que levou Evo Morales ao poder em 2006], darei a minha vida“, disse Patricia Arce, citada pela agência EFE.

De acordo com os média locais, citados pela Time, os manifestantes, que estavam armados com madeira e pedras, também incendiaram parte da Câmara Municipal.

Horas depois, Patricia Arce foi entregue às autoridades e levada para o hospital.

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