Scott Morrison (ScoMo) / Facebook

Scott Morrison, primeiro-ministro da Austrália

A Austrália prometeu esta quarta-feira que vai continuar a exigir uma investigação sobre a origem do novo coronavírus, apesar de a China ter ameaçado boicotar as importações de bens e serviços australianos.

“A Austrália continuará a adotar esse curso de ação extremamente razoável e sensato. Este vírus já matou mais de 200.000 pessoas em todo o mundo e paralisou a economia global. As implicações e os impactos são extraordinários”, apontou o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, citado pela agência Lusa.

Na semana passada, o governo australiano pediu uma investigação “transparente” sobre a origem do novo coronavírus, que foi inicialmente detetado na cidade chinesa de Wuhan. A proposta, que inclui o aprofundamento na gestão e troca de informações sobre a doença, foi condenada por Pequim, que considerou existirem motivações políticas.

A Austrália, forte aliada de Washington, propôs a investigação logo após o Presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, ameaçar com “consequências” para a China, caso seja provado que o país é “deliberadamente responsável” por causar a pandemia.

O embaixador chinês em Camberra, Cheng Jingye, sugeriu então um possível boicote chinês sobre produtos australianos como carne e vinho, e outros serviços do país oceânico. A China é o principal parceiro comercial da Austrália.

Numa entrevista publicada na segunda-feira no Australian Financial Review, Cheng Jingye alertou que, caso a tensão aumente, “os turistas podem ter dúvidas. Talvez os pais dos alunos também tenham dúvidas sobre se este lugar não é tão acolhedor e agradável, mas antes hostil”.

O chefe do Tesouro australiano, Josh Frydenberg, respondeu esta quarta-feira também, garantindo à rede local Sky News que o seu país “não se curvará perante a extorsão, e vai continuar a defender o interesse nacional australiano e a não negociar a saúde para obter resultados económicos”.

As relações entre os dois países deterioraram-se devido a questões como a militarização do Mar do Sul da China por Pequim ou a aprovação na Austrália de leis contra interferência estrangeira, depois de terem sido descobertos casos de doações chinesas a políticos e ciberataques a agências estatais e universidades australianas, atribuídas à China.

Segundo um balanço da agência AFP, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 215 mil mortos e infetou mais de três milhões de pessoas em 193 países e territórios. Mais de 840 mil doentes foram considerados curados. A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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