Paulo Cunha / Lusa

“Isto vai ser uma catástrofe. Vai arder tudo”. Este é um dos desabafos que se ouve de um comandante dos bombeiros, durante os grandes incêndios que assolaram Portugal este domingo, 15 de Outubro, nas gravações áudio das comunicações com a Protecção Civil.

A TVI e a SIC tiveram acesso a alguns dos extractos das trocas de comunicações entre os bombeiros e a Protecção Civil nas zonas de Tondela, de Viseu e de Santa Comba Dão. Estes registos revelam o desnorte no terreno e a falta de meios para combaterem as chamas.

Isto está uma calamidade. Isto está uma calamidade. Precisava aqui de mais um carro. Isto vai arder tudo“, queixa-se um comandante num áudio divulgado pela TVI.

“Não tenho João. Não tenho!”, é a resposta da Protecção Civil.

“Ó chefe, eu fiquei sem água. Tenho de ir abastecer o carro. Não consigo trabalhar aqui na aldeia”, lamenta outro operacional no terreno.

“Isto vai ser uma catástrofe. Vai arder tudo”, desabafa ainda outro comandante.

“Estou aqui a fazer o milagre da multiplicação com os meios existentes“, chega a dizer um dos bombeiros que acode às chamas numa das localidades atingidas.

No áudio divulgado pela SIC, há também um bombeiro a pedir mais meios, ao que a Protecção Civil responde “negativo”, perante a impossibilidade de deslocar mais operacionais para a zona.

Um operacional chega a pedir uma ambulância para dar apoio aos idosos que se encontravam na zona. A resposta da Protecção Civil é para que “tentem meter essas pessoas num largo”.

Esta terça-feira, Portugal acordou sem fogos ativos mas a adjunta de operações da ANPC, Patrícia Gaspar, anunciou que o número de mortos aumentou para 37, na sequência de uma pessoa que estava internada no hospital de Coimbra. Há também 71 feridos.

Seis dos sete desaparecidos foram encontrados com vida. Segundo a responsável, todos os seis desaparecidos encontrados são do distrito de Viseu, faltando encontrar uma pessoa no distrito de Coimbra.

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