Tiago Petinga / Lusa

Vale e Azevedo à saída da prisão da Carregueira, a 7 de Junho de 2016.

A morosidade da Justiça portuguesa permitiu a libertação de Vale e Azevedo, ex-presidente do Benfica, que, depois de cumprir 4 anos de prisão, no âmbito de processos de burla, foi ainda condenado a 10 anos por outros crimes. Mas o ex-advogado só pensa em voltar ao trabalho e já tem ofertas de emprego.

Vale e Azevedo saiu na terça-feira da prisão da Carregueira, depois de ter cumprido quatro anos de uma pena de onze anos e meio, no âmbito de condenações por burla e apropriação indevida de dinheiro nos processos Ovchinnikov/Euroárea, Dantas da Cunha e Ribafria.

Mas o ex-presidente encarnado foi ainda condenado a mais 10 anos de prisão por outros crimes, cometidos entre 1997 e 2000, nomeadamente por se ter apoderado de dinheiro das transferências de jogadores do Benfica.

Todavia, quando foi extraditado de Londres, para onde fugiu da Justiça portuguesa, os tribunais ingleses só deram o seu aval ao retorno do ex-advogado a Portugal “ao abrigo de um mandado de detenção europeu para cumprir os 11 anos e meio” da primeira pena, escreve o Correio da Manhã.

Entretanto, transitou em julgado a outra pena, de 10 anos, mas o Tribunal Criminal de Lisboa, onde o caso foi julgado, e a Procuradoria-Geral da República, não solicitaram a ampliação do mandado de detenção europeu, para dar cumprimento à sentença.

Esta quarta-feira, o Ministério Público anunciou que já pediu a ampliação da extradição de Vale e Azevedo relativa à condenação de 10 anos.

“O Ministério Público promoveu, logo que teve conhecimento do trânsito em julgado, a emissão de Mandado de Detenção Europeu, com pedido de ampliação da extradição”, respondeu à agência Lusa fonte da Procuradoria-Geral da República (PGR), acrescentando que o juiz titular do processo já deferiu o pedido.

A condenação de 10 anos foi aplicada a Vale e Azevedo em 2013 por crimes nas transferências dos futebolistas ingleses Scott Minto e Gary Charles, do marroquino Tahar e do brasileiro Amaral.

A advogada de Vale e Azevedo, Luísa Cruz, considera, em declarações ao Diário de Notícias que, “muito possivelmente, ao chegar o pedido de ampliação [da extradição] poderá nem sequer ser aceite, porque já há uma prévia apreciação deste processo”.

A advogada também refere ao jornal que os tribunais britânicos criticaram a actuação da Justiça portuguesa, nomeadamente por causa dos prazos dos processos que envolvem Vale e Azevedo.

Luísa Cruz também refere que Vale e Azevedo, que foi condenado por burla qualificada, abuso de confiança e branqueamento de capitais, já tem propostas de trabalho.

“As empresas com quem ele trabalhava em termos de consultadoria mantêm o interesse nos seus serviços”, frisa ao DN.

Vale e Azevedo foi expulso da Ordem dos Advogados, mas ainda pode dar pareceres ou opiniões jurídicas.

ZAP / Lusa