Paulo Novais / Lusa
A Associação Ateísta Portuguesa garante que respeitaria a deslocação de Marcelo Rebelo de Sousa caso esta tivesse sido realizada “a título particular e a expensas próprias”.
A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) repudiou este domingo a deslocação do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, à Jornada Mundial da Juventude, no Panamá, considerando “um grave atentado à neutralidade religiosa do Estado laico”.
“A título particular e a expensas próprias, caberia a esta Associação respeitar e ignorar tamanha devoção”, lê-se num comunicado citado pela Lusa.
“Participar em jornadas da Juventude, onde manifestamente a idade não o recomenda, ir à missa e assistir à benzedura de um templo católico, é um assunto que a AAP ignoraria se o enviado fosse um membro da Conferência Episcopal, mas que considera um grave atentado à neutralidade religiosa do Estado laico, quando perpetrado pelo Presidente da República.”
Em comunicado, a associação refere ainda que tomou conhecimento da deslocação ao Panamá, durante três dias, para participar na JMJ, assistir a uma missa papal e estar presente na bênção da restauração de um edifício religioso.
O anúncio na página oficial da Presidência da República, adianta a AAP, “convenceu a associação de que é de caráter oficial a viagem, atitude que, a ser assim, merece o seu maior repúdio por ser em representação do país
”.A Associação Ateísta Portuguesa afirma que não se revê nas frequentes manifestações de fé que o Presidente da República explicita publicamente e “lamenta a reincidência de Sua Excelência em manifestações pias, que ofendem gravemente a laicidade do Estado comprometem a neutralidade religiosa a que Constituição obriga”.
“Sem perda do respeito que é devido ao PR, a AAP sente-se profundamente ofendida quando vê o PR de joelhos ou curvado perante o clero de qualquer religião. O país não é um bando de beatos e não merece tal ofensa” acrescenta a associação em comunicado.
O presidente da República deslocou-se ao Panamá para participar nas XXXIV Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), a convite do seu homólogo panamiano Juan Carlos Varela.
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Marcelo Rebelo de Sousa claramente não tem noção de que ao participar num evento religioso em representação de um estado laico, está a violar a própria constituição. Portugal não é uma teocracia, e voltar a viver na idade das trevas não interessa a ninguém, independentemente das pessoas serem religiosas ou não. Basta pesquisar os factos históricos, em que mesmo dentro da religião católica, muitas pessoas foram queimadas nas fogueiras, apenas por expressarem uma opinião diferente dos teocratas dominantes. Eu prefiro um estado laico que proteja todos os cidadãos e não favoreça qualquer religião ou falta dela. E você?