ESA/ATG/ESO/S. Brunier

No ano passado, uma estimativa baseada nos dados de mapeamento de Gaia deu um diâmetro de disco da Via Láctea de cerca de 260 mil anos-luz. Porém, a influência gravitacional e a densidade da Via Láctea estendem-se para mais longe.

A questão era: quão mais longe? Num novo artigo enviado para a revista científica Monthly Notices da Royal Astronomical Society, que está disponível na plataforma de pré-publicação ArXiv, a astrofísica Alis Deason, da Universidade de Durham, e os seus colegas revelaram um diâmetro de 1,9 milhão de anos-luz.

Há mais na Via Láctea do que o que conseguimos ver. De acordo com o ScienceAlert, sabemos isso porque as estrelas nas bordas externas do disco galáctico estão a mover-se muito mais rápido do que deveriam de acordo com a influência gravitacional da matéria detetável.

A influência gravitacional “extra” que dá um empurrão nessa rotação é interpretada como proveniente da matéria escura – um vasto e esférico halo do material que envolve o disco galáctico. Porém, como não conseguimos detectar diretamente a matéria escura, temos de inferir a sua presença com base na forma como afeta as coisas ao seu redor.

Deason e os colegas conduziram simulações cosmológicas de alta resolução dos halos de matéria escura das galáxias da Via Láctea, tanto isoladamente como em análogos do Grupo Local, um pequeno grupo de galáxias com cerca de 9,8 milhões de anos-luz de diâmetro, ao qual a Via Láctea pertence.

Os cientistas estavam particularmente focados na proximidade da Via Láctea à M31, também conhecida como galáxia de Andrómeda, com a qual a Via Láctea deverá colidir em cerca de 4,5 mil milhões de anos. Atualmente, as duas galáxias estão separadas cerca de 2,5 milhões de anos-luz, mas suficientemente próximas para já interagirem gravitacionalmente.

Usando vários programas de simulação diferentes, a equipa modelou o halo da matéria escura da Via Láctea, observando a velocidade radial – a velocidade orbital de objetos que se movem pela galáxia a várias distâncias – e a densidade para tentar definir a borda do halo da matéria escura.

As simulações mostraram que, além do halo da matéria escura, a velocidade radial de objetos como galáxias anãs caiu notavelmente.

Depois, os cientistas compararam os resultados a um banco de dados de observações de galáxias anãs ao redor da Via Láctea no Grupo Local. Como as simulações previram, houve uma queda repentina na velocidade radial.

A distância radial que a equipa calculou até esse limite foi depois de uma distância de cerca de 292 kiloparsecs – cerca de 950.000 anos-luz. Multiplicando este valor para obter o diâmetro, chegaram ao valor de mais de 1,9 milhão de anos-luz.

Esta distância, que ainda pode ser refinada, ajuda a impor restrições importantes à Via Láctea e poderá ser usada para encontrar os limites de outras galáxias.

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