António Cotrim / Lusa

A líder demissionária do CDS-PP, Assunção Cristas, vai renunciar ao mandato de deputada, mas ficará na Assembleia da República até ao próximo congresso, em 25 e 26 de janeiro de 2020.

O anúncio foi feito esta quinta-feira por Assunção Cristas no arranque do conselho nacional do CDS, na sede do partido, em Lisboa, de acordo com o secretário-geral do partido, Pedro Morais Soares. A líder centrista anunciou também que vai manter-se como vereadora do partido na Câmara Municipal de Lisboa, para que foi eleita nas autárquicas de 2017.

O 28.º congresso do CDS-PP, para decidir a sucessão de Assunção Cristas, vai realizar-se em 25 e 26 de janeiro de 2020, foi também esta quinta-feira aprovado no conselho nacional do partido. A proposta foi feita pela direção de Cristas, que assumiu o mau resultado do partido nas legislativas, e anunciou que não se recandidatava à liderança dos centristas logo na noite das eleições, em 6 de outubro.

O secretário-geral do partido, Pedro Morais Soares, afirmou aos jornalistas que a escolha se deve a uma “questão simbólica”, por ter sido nessa data que se realizou o primeiro congresso do partido, no Palácio de Cristal, no Porto, em 1975, que foi cercado durante horas por militantes de esquerda.

Agora, segundo o dirigente centrista, a direção espera que as estruturas concelhias e distritais apresentem candidatura para o local onde se vai realizar a reunião magna dos centristas. A eleição de delegados ao congresso está prevista para 30 de novembro e o prazo para a apresentação de moções globais, com que os candidatos apresentam a sua candidatura à liderança, e as setoriais, termina em 27 de dezembro.

Até ao momento, há dois candidatos “em reflexão”, João Almeida, deputado e porta-voz do partido, e Filipe Lobo d’Ávila, do grupo “Juntos pelo Futuro”, e um candidato assumido, Abel Matos Santos, da Tendência Esperança em Movimento (TEM).

O conselho nacional do CDS-PP demorou seis horas e meia e terminou já nesta sexta-feira de madrugada, sem que nenhum dos dirigentes “em reflexão

tenha anunciado uma candidatura à liderança. No final da reunião, em declarações aos jornalistas, tanto Lobo d’Ávila, que à entrada admitiu que anunciará a sua decisão “dentro de dias”, nem João Almeida revelaram posições definitivas.

No final de um concorrido conselho nacional, mas já com a sala da sede do CDS-PP com pouco mais de 20 conselheiros, a ainda líder, Assunção Cristas, prometeu uma “presença discreta”, para fazer a representação institucional do partido, e disse sair da reunião tranquila com a participação que teve e com o debate de ideias a que assistiu.

“Vamo-nos vendo e, se não for antes, vemo-nos no congresso”, despediu-se Assunção Cristas, já passava das 4 da madrugada.

“Não abandono, não fujo”

Esta quinta-feira, à entrada para a reunião, o líder da JP, Francisco Rodrigues dos Santos, também admitiu uma eventual candidatura e afirmou-se “disponível para aquilo que os militantes” entenderem que ele possa “ser mais útil”.

“Eu estou, como sempre estive, ao lado do meu partido, não o abandono, não fujo. Estou disponível para aquilo que os militantes do meu partido entenderem que eu posso ser mais útil”, afirmou aos jornalistas, à entrada da reunião de esta quinta-feira à noite do conselho nacional dos centristas, na sede nacional do partido, em Lisboa.

Primeiro, o dirigente da JP criticou, sem identificar, quem, “a partir de fora”, manda “mensagens para dentro”, tentando “condicionar” a discussão interna no partido. E terminou citando Winston Churchill: “O fracasso não é eterno, o sucesso não é definitivo, o que conta é coragem para continuar”.

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