Paulo Novais / Lusa

António Costa classificou como “absolutamente indigna” a iniciativa de realizar o jantar de encerramento da Web Summit no Panteão Nacional, mas quando o primeiro-ministro era presidente da Câmara de Lisboa, a Associação de Turismo a que também presidia organizou um evento naquele monumento.

A notícia foi avançada pela CMTV e entretanto confirmada pelo então director da Associação de Turismo de Lisboa (ATL), Vítor Costa.

Esse jantar organizado pela ATL no Panteão Nacional ocorreu a 11 de Setembro de 2013, segundo avança o Correio da Manhã, frisando que o evento visou promover o fado, contando com convidados de várias nacionalidades.

Na altura, o actual primeiro-ministro era presidente da Câmara de Lisboa e também presidente da ATL, mas Vítor Costa assegura ao Observador que “António Costa não foi consultado nem teve conhecimento” do evento.

Através do seu perfil do Facebook, Vítor Costa reforça aquela ideia, destacando que Costa “não foi consultado e não teve conhecimento, nem tinha que ter” do jantar organizado “no âmbito de uma acção promocional de rotina”.

O gabinete do primeiro-ministro assegura também ao Observador que “António Costa, enquanto presidente da Câmara, não promoveu nenhum jantar no Panteão“, que “desconhecia qualquer jantar” e que “é totalmente falso que tenha promovido qualquer jantar”.

Certo é que esse jantar ocorreu antes do despacho do Governo PSD/CDS

que permite a realização de eventos no Panteão Nacional e que Costa aponta, agora, como o “culpado” por esta polémica iniciativa da Web Summit.

O primeiro-ministro classificou o jantar da Web Summit como uma situação “absolutamente indigna do respeito devido à memória” das figuras honradas no Panteão Nacional, prometendo alterar o despacho que o permitiu “para que situações semelhantes não voltem a repetir-se, violando a história, a memória colectiva e os símbolos nacionais”.

“António Costa nunca tem nada a ver com nada”

Comentando a posição de António Costa no seu habitual espaço de comentário na SIC, Luís Marques Mendes critica que o primeiro-ministro “nunca tem nada a ver com nada, nem com os incêndios nem com Tancos, nem com a legionela”.

“O primeiro-ministro devia ter seguido o exemplo do fundador da Web Summit, que pediu desculpa com toda a humildade“, afiança ainda Marques Mendes, considerando que a directora da Direcção-Geral do Património Cultural devia “ter posto o lugar à disposição”.

Entretanto, o Eco apurou que o jantar da Web Summit no Panteão Nacional era do conhecimento público, tendo sido divulgado pela organização do evento a um grupo de grandes empresas e a elementos do Governo. Esta publicação atesta que o jantar “estava na agenda do evento enviada por email na semana anterior à conferência” a alguns elementos do Executivo.

Também se sabe, agora, que a empresa pública NAV (Navegação Aérea) organizou um jantar no Panteão Nacional, em Outubro passado. Fotografias do evento constam da página de Facebook da empresa tutelada pelo Ministério do Planeamento e Infraestruturas.

A directora de comunicação da NAV revela ao Observador que a empresa pública não contratou directamente o Panteão Nacional, mas que optou por uma proposta apresentada por uma das empresas de catering contactadas no âmbito do evento.

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