Ricardo Garcia Pereira é arquiteto e queria comprar uma casa em Lisboa. Ao deparar-se com preços exorbitantes e “situações absurdas” criou uma página no facebook onde denuncia os preços “estratosféricos”.
As “situações absurdas” encontradas levaram o arquiteto a avançar com o projeto “Negócios de Sonho” cujo “objetivo é denunciar, através da ironia e do humor, os preços estratosféricos que se praticam em Lisboa”.
“A ideia é reduzir a situação ao ridículo”, explicou à Sábado, revelando que muita gente não acreditava nos valores que ele dizia encontrar – e que vão desde quartos para arrendar por 3 mil euros ou T0 de 32m² por 334.800 euros.
O arquiteto avança até com uma explicação para os preços praticados que, segundo o Fundo Monetário Internacional, aumentaram em 15% num período de dois anos: “Se repararmos bem, grande parte dos anúncios são dirigidos a estudantes estrangeiros e por isso é que estão traduzidos para inglês. O que para eles é um pouco alto é insuportável para os portugueses”.
Ricardo usa o humor e a ironia para denunciar as situações que vai encontrando, como um T0 de 27 m2: “Em plena Rua do Crucifixo pode crucificar 300 mil euros num imóvel… é tão pequeno que talvez dê para arrastar pelas ruas”, contou.
Além do aumento do investimento direto na compra de imóveis por estrangeiros que beneficiam de condições especiais, também muitas empresas de construção passaram a apostar na recuperação de prédios e habitações para turistas
arrendarem.Em 2016, o investimento direto estrangeiro neste setor totalizou 6,2 mil milhões de euros, mais 50% face a 2014, segundo dados do Banco de Portugal. Os franceses são os principais e preferem comprar.
Outros compradores incluem brasileiros, chineses, turcos, iranianos ou libaneses (ainda há angolanos, mas em menor número), que tiram parte do património, do risco e da instabilidade doméstica para a Europa – Portugal, seguro, barato, acolhedor e no radar é visto como uma oportunidade agradável de investimento.
O efeito da presença dos estrangeiros no sector imobiliário faz-se sentir igualmente no setor do mercado de alojamento local. Em Março deste ano havia 10.9698 propriedades em Lisboa listadas com ativas no Airbnb e 4.269 no Porto, segundo a empresa norte-americana Airdna, uma consultora que analisa este mercado.
Ricardo Garcia Pereira também fez uma pesquisa para demonstrar o quanto o mercado dificulta a vida aos locais.
“Procurei T1 e T2 para alugar em Lisboa com valores de 350 e 650 euros – número atingido tendo em conta que não se deve ultrapassar 33% do rendimento disponível na habitação. Encontrei quatro casos para a primeira tipologia e três para a segunda. Em contrapartida, havia mais de 10 mil Airbnb ativos“, revelou.
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é uma vergonha os valores que se praticam em Lisboa, já vi casas com 45 m2, por 650 euros, autenticos palheiros, ando há 2 anos à procura de 1 T1 e nao encontro nada que possa pagar.