Mário Cruz / Lusa

O PCP está a usar uma nota do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, para justificar a realização da festa do “Avante!” em plena pandemia.

Tal como escreve o jornal Expresso na sua edição deste sábado, os comunistas recorreram a uma nota do Chefe de Estado, publicada no site da Presidência da República, para justificar que a festa de deve realizar até porque a “atividade política não está suspensa”.

Num longo e detalhado texto sobre os motivos pelos quais o PCP quer realizar este evento, sob o título de “Porque realizamos a festa”, o partido de Jerónimo de Sousa garante que as normas de segurança e saúde serão cumpridas e mune-se da nota explicativa que Marcelo Rebelo de Sousa escreveu na altura em que promulgou o diploma que proíbe a realização de festivais e concertos até ao final de setembro.

Esta nota serve agora, tal como caracteriza o semanário, de arma política.

“O próprio Presidente da República afirmou que ‘se uma entidade promotora qualificar como iniciativa política, religiosa, social o que poderia, de outra perspetiva, ser encarado como festival ou espetáculo de natureza análoga’, deixa de se aplicar a proibição específica prevista no presente diploma”, dizem os comunistas.

Contudo, o PCP não partilha a nota na íntegra, na qual se pode também ler que se impõe aos responsáveis a fixação de “lugares marcados” assim como o respeito pela “lotação e o distanciamento físico” dos participantes.

No entender dos comunistas, cancelar esta festa, que todos os anos acontece na Quinta da Atalaia, no Seixal, seria “soçobrar a uma ofensiva reacionária que, tendo êxito, cedo passaria para outros patamares de limitação de liberdade e direitos”.

Os comunistas não preveem reduzir a lotação do evento, que tem capacidade para receber cerca de 100.000 pessoas, tal como precisa o jornal Público.

O Presidente da República defendeu esta sexta-feira que todos os grandes eventos previstos para Portugal são “bem-vindos”, desde que respeitem as regras de saúde pública, recusando comentar em particular a Festa do Avante!, agendada para setembro.

“Não me vou pronunciar sobre uma realidade em que a Direção-Geral de Saúde definirá regras”, afirmou, após questionado sobre a festa promovida pelo PCP.

O diretor do Festival Paredes de Coura, cancelado este ano devido à pandemia, manifesta-se contra a realização da festa comunista nos moldes normais. “Se a Festa do Avante! acontecer da mesma forma que nos anos anteriores é uma absoluta injustiça e deixa-me com uma indignação enorme”, disse ao Expresso.

Dizendo ter “muito respeito pelo PCP”, vai ainda mais longe a acrescenta: “Um evento para 100 mil pessoas – ou mesmo 30 ou 50 mil – seria uma vergonha nacional e internacional. Aliás, não conheço nenhum evento no mundo que neste momento tenha mais de 15 mil”.

O PCP é responsável, como acredito que o Governo seja”, rematou.

A festa comunista está agenda para 4, 5 e 6 de setembro.

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