Enric Fontcuberta / EPA

A Argentina está a discutir um projeto de lei que visa aplicar um imposto único aos detentores de grandes fortunas – mais de 3 milhões de dólares – para reforçar o setor da saúde do país sul-americano.

De acordo com a emissora britânica BBC, que cita os autores do documento, o dinheiro arrecadado através deste imposto serviria para ajudar os mais pobres no acesso a serviços de saúde, ajudando também pequenas e médias empresas a sobreviver à crise económica que o país enfrenta e que se agravou com a pandemia de covid-19.

Batizado de “imposto para os ricos”, o projeto apresentado por deputados no Parlamento da Argentina mereceu o apoio do Presidente do país, Alberto Fernández.

“Somos 45 milhões na Argentina e 12 mil pessoas concentram muita riqueza. É a estas pessoas que vamos pedir este apoio excecional para a situação difícil gerada pela pandemia (…) [O imposto] só será cobrado uma vez”, explicou o chefe de Estado da Argentina em declarações à estação televisiva C5N, sediada Buenos Aires.

Esta será “uma ferramenta útil para a luta contra o novo coronavírus”, representando “a solidariedade” dos cidadãos mais ricos, frisou ainda Alberto Fernández no Twitter.

A medida permitira arrecadar cerca de 3 mil milhões de dólares, de acordo com as estimativas dos criadores do projeto que tiveram por base o património declarado dos detentores das grandes fortunas. O imposto rondaria entre os 2% e os 3,5% dos bens declarados, precisa ainda a emissora britânica.

Além do apoio do Presidente, a iniciativa mereceu apoio dos deputados, mas foi mal recebida pela oposição e pelo setor empresarial.

Quando os primeiros casos de covid-19 chegaram à Argentina, o país já estava mergulhado numa crise económica: está há quase dois anos em recessão, registando altos índices de pobreza (35% da população), de desemprego (10%) e de inflação (35%).

A pandemia, que já fez mais de 400 mil vítimas mortais e infetou mais de sete milhões de pessoas em todo o mundo, veio agravar esta situação. A Argentina tem mais de 24.000 casos confirmados de covid-19, tendo a lamentar mais de 700 vítimas mortais.

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