Em 14 meses, a Argélia abandonou milhares de migrantes no Saara, obrigando-os a atravessar o deserto sem água ou comida. Desde 2014, terão morrido cerca de 30 mil pessoas.
A Argélia está a obrigar milhares de migrantes a atravessar o deserto do Saara, sem água ou comida. Nos últimos 14 meses, a Organização Internacional das Migrações (OIM) estima que 13 mil emigrantes tenham estado nessa situação. Desde 2014, terão morrido cerca de 30 mil pessoas no deserto.
De acordo com o Público, morrem ainda mais migrantes no deserto do Saara do que no Mediterrâneo. Entre as vítimas estão mulheres grávidas e crianças.
O alerta é dado pela Organização Internacional das Migrações e pelo Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) mas o assunto não é de agora. O abandono de migrantes começou no ano passado, altura em que a União Europeia começou a pressionar os países do norte de África para desmobilizarem os migrantes que quisessem ir para a Europa através do Mar Mediterrâneo.
Segundo a TSF, a expulsão de migrantes é permitida desde que seja feita nos termos da lei internacional. No entanto, não é o que está a acontecer na Argélia, dado que não está a recorrer às verbas oferecidas pela União Europeia para ajudar com a crise migratória.
Os migrantes são colocados em camiões e viajam durante horas até chegar a um local conhecido como Ponto Zero. Aí, os migrantes são abandonados e obrigados a caminhar a pé em direção ao Níger, uma distância de cerca de 15 quilómetros, debaixo de temperaturas que podem chegar aos 48 graus.
A Organização Internacional para as Migrações ainda não tem estimativas do número de mortos no deserto do Saara, mas a referência é de 30 mil desde 2014.
No que diz respeito à expulsão de migrantes, a Argélia não publica os seus dados. No entanto, a Organização Internacional para as Migrações tem os seus próprios números e adianta que, desde que começou a sua contabilização, em maio do ano passado, os números não param de aumentar.
Em abril, por exemplo, foram mais de 2800 os migrantes nesta situação. “A escala das expulsões que estou a ver agora, nunca tinha visto nada semelhante. É uma catástrofe”, disse à Associated Press Alhoussan Adouwal, responsável da OIM na localidade de Assamaka (Níger).
Tanto a OIM como a ACNUR têm equipas no deserto e, algumas vezes, chegam mesmo a conseguir salvar quem encontram a vaguear no calor. Mas há muitos migrantes que não aguentam esta rota mortífera pela sobrevivência.
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Aproveito para colocar na mesma questão os refugiados e os migrantes que nos últimos tempos têm chagado, em desesperadas avalanches, à Europa, a maior parte deles em busca de sobrevivências.
Porque o fenómeno se reveste de dura incerteza e até reflecte horizontes de catástrofe, não só para quem foge das suas terras, mas também para as comunidades que tentam, consciente ou inconscientemente, dar-lhe a mão, aqui deixo a interrogação que há muito coloquei a mim próprio:
Por que será que os países que tentam mandar no mundo, que costumam, como se tem visto, meter o nariz onde não são chamados, habitualmente para destruir e matar, preferem assistir a este êxodo sem fim e sem solução à vista, em vez de, concertadamente, agirem no sentido do auxílio efectivo a esses povos em fuga, auxílio efectivo nas suas próprias terras, ajudando-os a criar condições de aceitável subsistência, em instaurado clima de paz, onde a esperança no futuro os prenda às respectivas terra-mães para fazer delas as suas Amadas Pátrias?
Por que será que isso não acontece? Que interesses haverá subjacentes ao que está a acontecer?