António Cotrim / Lusa
O primeiro-ministro, António Costa, convocou com caráter de urgência, para sexta-feira, em São Bento, uma reunião do gabinete de crise para acompanhar a evolução da covid-19 em Portugal, disse hoje à agência Lusa uma fonte do Governo.
A mesma fonte adiantou que a reunião, que se inicia às 11:30h, surge na sequência do “contínuo aumento” de novos casos diários de infeção com o novo coronavírus e pela necessidade de “reforçar a sensibilização dos cidadãos para a adoção de medidas de prevenção e de segurança contra a covid-19”.
Do gabinete de crise, que se reuniu pela última vez em 29 de junho, em São Bento, fazem parte os ministros de Estado, da Economia e Transição Digital, Pedro Siza Vieira, de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, de Estado e da Presidência, Marina Vieira da Silva, de Estado e das Finanças, João Leão, da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, da Administração Interna, Eduardo Cabrita, do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, da Saúde, Marta Temido e das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos.
Integram ainda este gabinete de crise os secretários de Estado dos Assuntos Parlamentares, Adjunto do Primeiro Ministro, Adjunto e da Defesa, da Juventude e Desporto e da Mobilidade.
Portugal contabiliza hoje mais 10 mortes devido à covid-19 e 770 novos casos de infeção com o novo coronavírus, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde.
A DGS indica que cinco mortes foram registadas na região Norte, duas na região de Lisboa e Vale do Tejo, duas na região Centro e uma na região do Algarve. Em vigilância estão 37.804 contactos, mais 517 do que na quarta-feira.
[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa” ]
Estou muito desapontado com a forma como se está a lidar com o problema da pandemia. Quase tudo é simulacro e simulação, como diria Jean Braudrillard. Simples faz de conta, da pior propaganda. Hoje, como sou professor, estive numa sala apinhada, com alunos de parede a parede, com um frontal e outro lateral com as mesas coladas à secretária do professor. Entre as mesas da frente e a parede do quadro 1 metro de distância, se tanto. Se fosse um pouco mais gordo não conseguiria mover-me nesse pouco espaço. Com estas condições como é que se pode pedir que os alunos fora da sala respeitem uma distância de seguranças de 1,5 a 2 metros e não se aglomerem? Onde está a coerência?
Há poucos dias, numa das conferências da DGS, a senhora Diretora, referiu que a maioria dos contágios estava a ocorrer no interior das famílias. Pois bem, o que é que se fez. Enviaram-se os filhos para as escolas, para facilitar o contágio interfamílias. Bravo!
Por mais voltas que dê não consigo compreender. A justificação económica também não colhe porque o que é que interessa pôr as empresas a laborar se não tiverem encomendas ou mercado para escoar os produtos. Até parece que o problema da COVID-19 só afeta Portugal. Enfim, existe massa crítica no país para fazer muito melhor, para encontrar melhores soluções. Por favor, não nos continuem a lançar areia para os olhos quando as contradições são mais do que muitas. Fazer melhor é possível. Fazer melhor é preciso.