António Cotrim / Lusa

O ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira

O ministro da Economia explicou, este sábado, o apoio de 20% da perda de receitas dos restaurantes forçados a fechar portas neste e no próximo fim-de-semana.

Na quinta-feira, depois da reunião do Conselho de Ministros, o primeiro-ministro anunciou que haverá um apoio de 20% da perda de receitas dos restaurantes, forçados a fechar portas neste e no próximo fim-de-semana, face à média dos 44 fins-de-semana anteriores (de janeiro a outubro 2020).

Este sábado, numa conferência de imprensa, o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, anunciou que o apoio extraordinário anunciado por António Costa vale 25 milhões de euros.

Sobre o facto de o apoio ter como base a média deste ano, o governante explicou que “o ano de 2020 não é igual ao de 2019”. “Por esta altura, em Lisboa, estávamos a ter a Web Summit, com o aumento de turistas”, exemplificou, citado pelo jornal online Observador.

A ideia do Governo, explicou o ministro, é calcular o que os restaurantes fariam de receita caso não estivessem fechados agora e não se estivessem a operar num ano sem pandemia.

Segundo o semanário Expresso, outra das novidades avançadas pelo titular da pasta da Economia é o eventual apoio às rendas não habitacionais, ou seja, “aos estabelecimentos comerciais”.

Siza Vieira disse ainda que o setor da restauração já perdeu cerca de 1860 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano e, por isso, considera que os apoios anunciados até agora são já uma ajuda considerável.

O ministro afirmou que, “entre as medidas já aprovadas e aquelas a disponibilizar a curto prazo”, o Estado já destinou 1,1 mil milhões de euros em apoios para o setor. O governante declarou ainda a vontade de começar a fazer pagamentos já em dezembro.

Este valor global engloba 286 milhões de euros de apoios que já chegaram às empresas deste setor por via do lay-off

simplificado e do apoio à retoma progressiva, mas também 12 milhões de euros através do programa Adaptar e 580 milhões de euros em linhas de crédito.

Os dados avançados pelo ministro indicam que dos 750 milhões de euros contemplados no programa Apoiar.pt, 200 milhões de euros serão absorvidos pelo setor da restauração.

O Apoiar.pt consiste num apoio a fundo perdido destinado a micro e pequenas empresas dos setores mais afetados pela crise, como é o caso do comércio, cultura, alojamento e atividades turísticas e restauração, abrangendo as que tiveram quebras de faturação superiores a 25% nos primeiros nove meses deste ano.

“Há um compreensível desespero nas situações mais extremas, nomeadamente em zonas em que a procura desapareceu por completo”, reconheceu Siza Vieira, admitindo, porém, o Governo não vai conseguir acorrer a todos.

“Sabemos que não vamos conseguir acorrer a todas as situações. (…) É impossível compensar integralmente as perdas da restauração”, lamentou.

Esta sexta-feira, um protesto do setor na Avenida dos Aliados, no Porto, para contestar as medidas impostas pelo Governo, gerou desacatos com a polícia. Além do arremesso de garrafas contra elementos das forças de segurança, os manifestantes colocaram caixões [simbolizando a morte do setor] a arder, obrigando a intervenção policial.

Este sábado, uma manifestação com várias centenas de pessoas no Rossio, em Lisboa, está a apelar aos residentes que desobedeçam ao confinamento e saiam de casa para participarem no protesto, segundo o Observador.

[sc name=”assina” by=”ZAP” ]