José Sena Goulão / Lusa

Portugal tem 642 infetados com o novo coronavírus oriundo da China (Covid-19), segundo o boletim epidemiológico divulgado pela Direção-Geral da Saúde (DGS) esta quarta-feira. Destes, apenas 89 continuam hospitalizados, continuando a grande maioria dos doentes a recuperar em casa.

Contas feitas, apenas um sétimo do total dos infetados com a Covid-19 continua a receber tratamento no seio hospital. Destes, cerca de duas dezenas são doentes graves e estão em unidades de cuidados intensivos.

Inicialmente, explica o jornal Público, todos os doentes diagnosticados com a doença eram internados com medidas de proteção radicais, que incluíam quartos de pressão negativa.

À medida que o número de diagnósticos positivos foi aumentando no país, os hospitais começaram a mandar doentes para casa, onde continuam a receber tratamento.

O Hospital de São João, no Porto, foi o primeiro a adotar esta medida.

Os doentes que recuperam em casas são os pacientes menos graves, isto é, com sintomas mais ligeiros. Precisam de um cuidador em permanência e de uma casa adequada para a recuperação se possa fazer no domicílio. Os doentes e os cuidadores (preferencialmente apenas um e saudável) devem também estar habilitados para reconhecer sinais de um eventual agravamento do estado de saúde.

“Não devem ser partilhados utensílios de higiene, louça, roupa de cama e outros produtos de uso pessoal. As superfícies e zonas de estadia do paciente devem ser limpas todos os dias e estes devem usar máscara (…) Também a roupa deve ser lavada com detergente num programa entre os 60 e os 90º”, detalha o jornal Público.

Quanto a visitas, o ideal mesmo é que estas não existam durante o internamento. Caso aconteça, é necessário fazer um registo diário das mesmas – com nome e contacto dos visitantes. Os cuidadores deverão depois ser rastreados 14 dias após a alta do familiar.

Regra 80-15-5

Os números de internamentos hospitalares e domiciliários registados em Portugal estão em linha com “o modelo 80-15-5”, tal como explicou a diretor-geral da Saúde Graça Freitas, em conferência de imprensa nesta quarta-feira.

“Isto quer dizer que cerca de 80% das pessoas infetadas ficam em auto-cuidados domiciliários”, começou por explicar. Dos restantes, 15% serão internados em enfermaria geral e “5% poderão precisar de cuidados intensivos”, detalhou.

“Numa fase inicial internámos todas as pessoas em contenção máxima, em quartos de isolamento com pressão negativa”, mas à medida que o seu quadro clínico melhorou, foram sendo enviadas para casa, sempre que tal se revelou possível e “adequado à convalescença”. São indicações que “seguem as boas práticas internacionais”.

Entretanto, a DGS divulgou o boletim diário que dá conta de 143 novos casos, elevando o número total de infetados para 785.

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