Carlos Barroso / Lusa

Luís Marques Mendes

“António Costa anda a ficar muito nervoso” e sinal disso é a forma como “perdeu as estribeiras” no Parlamento, quando usou o argumento da “cor da pele” como resposta a Assunção Cristas. É Marques Mendes quem o diz, frisando que o primeiro-ministro em receio de tornar-se num “Guterres 2”.

No seu habitual espaço de comentário na SIC, neste domingo, Marques Mendes comentou os principais acontecimentos da semana, nomeadamente a forma como António Costa respondeu a Assunção Cristas, no debate no Parlamento, sobre os incidentes no Bairro da Jamaica, em Lisboa.

O primeiro-ministro usou o argumento da “cor da pele” e Marques Mendes considerou que “perdeu as estribeiras e foi profundamente infeliz”. “António Costa devia ser a voz da moderação”, mas “foi um exemplo de radicalismo“, apontou o comentador.

O antigo líder do PSD referiu que esta reacção “não é um caso isolado”, mas antes mais um sinal de que Costa “anda a ficar irritado”, “perturbado” e “com os nervos à flor da pele”.

Como explicação para isso, Marques Mendes avançou que o líder do PS “alimentou a ideia de ter uma maioria absoluta”, mas que “vê esse objectivo a fugir-lhe cada vez mais“. Isto, apesar de “a economia estar a crescer” e de “o PSD estar no estado em que está”.

Além disso, “António Costa está saturado politicamente da geringonça, mas não vê alternativa para o futuro”, o que o “irrita”, até porque “o tempo das “vacas gordas” está a terminar”, sublinhou ainda.

O comentador também frisou que Costa “sabe que vai ganhar eleições, mas desconfia que, a seguir, a sua vida vai ser um inferno” e “pode ser um Guterres 2”. “É que governar em tempo de “vacas magras” e sem maioria pode ser um desespero”, constatou Marques Mendes.

O ex-líder social-democrata referiu-se aos Governos socialistas de António Guterres que depois de entre 1995 e 1999 ter cumprido os quatro anos da legislatura sem maioria no Parlamento, foi eleito para um segundo mandato, novamente sem maioria, que não conseguiu cumprir até ao fim. Em Dezembro de 2001, Guterres demitiu-se e o Governo caiu.

CGD é “caso de polícia” e “há culpa de muita gente”

Marques Mendes comentou também a auditoria à Caixa Geral de Depósitos (CGD), considerando que confirma que o que se passou no Banco, “sobretudo entre 2005 e 2010, foi um autêntico regabofe nacional“. “Um caso de polícia”, disse o comentador, sustentando que “é uma vergonha”.

“Se um cidadão anónimo pedia à Caixa um pequeno empréstimo, exigiam-lhe couro e cabelo”, mas “já para emprestar milhões a alguns figurões do regime, eram só facilidades, uma indecência”, concluiu.

Marques Mendes criticou ainda “a luta partidária em torno desta questão entre PSD e PS”, frisando que “todos têm culpas no cartório” e que “em vez do pingue-pongue de acusações e contra-acusações deviam preocupar-se em tirar ilações para o futuro”.

O comentador da SIC também notou que é preciso divulgar “imediatamente” ao Parlamento e “ao país” a versão definitiva da auditoria, sustentando que “é uma vergonha o abuso que se faz do segredo bancário” e salientando que este não deve servir para “encobrir incumpridores, decisores irresponsáveis e más práticas de gestão”.

O ex-líder do PSD também relevou que é preciso criar uma nova Comissão de Inquérito Parlamentar para “apurar as responsabilidades políticas, institucionais e operacionais”, já que os eventuais crimes cometidos por gestão danosa, “provavelmente, já prescreveram”.

E sobre responsabilidades, Marques Mendes sustentou que “no plano político, o principal responsável é José Sócrates” porque “foi o grande patrocinador dos projectos que originaram os casos mais ruinosos“. Mas o comentador também imputou culpas ao Banco de Portugal e à presidência de Vítor Constâncio em particular, realçando que “nunca viu nada, mas deu o aval a gestores irresponsáveis”.

[sc name=”assina” by=”ZAP”]