A fita do tempo veio confirmar as suspeitas que o presidente da câmara de Mação, Vasco Estrela, que falava num desvio de meios e equipas no primeiro incêndio que tomou conta do concelho.

No início de setembro, o autarca de Mação, concelho que foi fustigado por dois fogos durante o verão, tinha acusado o então comandante da Proteção Civil, Rui Esteves, de má gestão dos incêndios.

Vasco Estrela criticava o número 1 da Proteção Civil, que entretanto se demitiu depois de ter sido alvo de um inquérito à licenciatura, acusando-o de ter desviado meios e equipas de Grupos de Intervenção Permanente (GIP) da GNR para outros concelhos, deixando críticas ao teatro de operações.

O presidente da Câmara de Mação uniu-se ao deputado do PSD, Duarte Marques, e ambos garantiam avançar com uma queixa à Inspeção-Geral da Administração Interna. “Vou aguardar pelas respostas da ministra e, depois de ter as respostas na mão, vou preparar uma queixa à IGAI, para que se apure o que se passou e se apurem as responsabilidades do responsável máximo pela coordenação dos meios, o comandante nacional”.

Agora, depois de Vasco Estrela ter recebido a fita do tempo, que lhe foi encaminhada pelo Ministério da Administração Interna, comprovou-se que Rui Esteves desviou meios do grande incêndio que, em julho, devastou o concelho de Mação, contrariando o comandante distrital que alertava para a gravidade das chamas, avança a TSF.

O documento é claro ao dizer que o Grupo de Reforço para Incêndios Florestais vindo de Aveiro foi retirado do teatro de operações por ordem do então Comandante

Operacional Nacional (CONAC) da Autoridade Nacional de Proteção Civil.

Vasco Estrela contesta a decisão e diz não fazer qualquer sentido alguém a 200 quilómetros do local do incêndio contrariar a decisão do comandante distrital que se encontrava no terreno, lembrando ainda que foi a partir dessa decisão que o fogo se tornou incontrolável, acabando por lavrar 18 mil hectares e destruir 15 casas de primeira habitação, atingindo 50 localidades e obrigando a evacuar 200 pessoas.

Será que existiram outros casos do género pelo país?“, questiona agora Vasco Estrela, que depois de receber a fita do tempo já enviou uma queixa à Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) para investigar o que se passou em Mação e o comportamento da Autoridade Nacional de Proteção Civil.

Quanto às razões pelas quais Rui Esteves terá procedido dessa forma, o autarca especula que, podendo não ter nada a ver com o caso, Rui Esteves já tinha sido comandante distrital em Castelo Branco, exatamente o distrito onde aconteciam os fogos e para onde foram mobilizados os meios retirados de Mação.

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