O escritor espanhol Arturo Pérez-Reverte assume-se “profundamente iberista” e considera que “é uma anomalia que Portugal e Espanha não sejam um mesmo Estado”. Diz também que uma “Federação Espanha-Portugal seria uma potência indiscutível”.
Posições assumidas pelo escritor em entrevista ao Diário de Notícias (DN) no âmbito do lançamento do seu livro “Uma História de Espanha” em Portugal.
“É uma anomalia que Portugal e Espanha não sejam um mesmo Estado ou que não formem um mesmo território político”, atira Pérez-Reverte, frisando que, nos que dias que correm, “essa separação é uma sorte para os portugueses porque estão distantes do desastre político, económico e social em que Espanha se converteu”.
“A fronteira entre Portugal e Espanha é uma fronteira artificial que somente a história traçou”, acrescenta o escritor, notando que se “durante os anos em que foi rei de Portugal”, Felipe II “tivesse mudado a capital do mundo ibérico para Lisboa, teríamos feito todos, portugueses e espanhóis, uma Ibéria atlântica e não uma Espanha estupidamente sangrada na Europa, e seria sido muito diferente a nossa história e a do mundo”.
“Se houvesse uma federação Espanha-Portugal, esta contaria com a influência de Portugal no Brasil e em África e de Espanha na América, o que se fôssemos dirigidos por governantes inteligente e com sentido de história, de dignidade e de futuro, nos tornaria uma potência indiscutível
“, acredita também Pérez-Reverte.O escritor espanhol confessa-se “profundamente iberista” à imagem do “grande amigo” José Saramago, “tanto que me sinto em Portugal tão na minha casa como em Cartagena ou na Andaluzia”, realça.
“Conheço bem a história de Portugal, que também é amarga em muitos sentidos, mas os portugueses agora estão a salvo porque não existe uma confederação ibérica. Assim, tenho um lugar para me refugiar quando a Espanha se tornar insuportável”, sustenta ainda.
Nesta entrevista ao DN, Pérez-Reverte diz que já não acredita que essa União Ibérica ainda seja possível. “E lamento porque Espanha está demasiado concentrada na sua própria desgraça e divisão, e não imagino os espanhóis a melhorar”, sublinha.
“O grande erro político, social e histórico dos espanhóis é que nunca tenham olhado para Portugal sem estarem de costas voltadas para ele”, considera por fim.
[sc name=”assina” by=”ZAP”]
A história está cheia de anomalias, isto é, de contingências. A história é o relato disso mesmo.