O número de animais abandonados continua a aumentar, segundo associações de protecção que estão preocupadas com esta tendência. A responsável de uma destas entidades alerta que “o abandono mata mesmo” e que há gatos que se “suicidam”.

A Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) não tem dados quanto ao número de animais que são abandonados em Portugal. Mas as Associações de protecção de animais garantem que nunca tantos cães e gatos foram abandonados como nos últimos anos.

O jornal i apurou que há um aumento no número de queixas apresentadas à PSP e à GNR por maus tratos e abandono de animais. Em 2018, o número de queixas foi de 2054, mais 38 relativamente ao ano anterior, segundo os dados divulgados pela publicação.

A experiência das associações que acolhem animais confirma a tendência. “Nunca tivemos tantos gatos como temos neste momento”, refere ao i a responsável da associação Entregatos, Ema Mock.

“As pessoas acham que o termo abandono só se aplica aos animais que são largados na rua. Acreditam que se forem deixados numa associação ou num canil municipal, já não é abandono”, frisa Ema Mock.

Esta responsável relata ainda que há gatos abandonados que se suicidam, concluindo que “o abandono mata mesmo”. “Os gatos que estiveram isolados a vida toda e nunca tiveram contacto com outros da sua espécie têm de ir para uma jaula para se habituarem progressivamente à presença de outros animais”, mas “ao fim de dois ou três dias, deprimem e morrem“, “suicidam-se”, refere Ema Mock. “Nada que façamos os anima. Os mimos, o colo, a comida à seringa, nada”, realça.

Na Entregatos, localizada em Sintra, são acolhidos, nesta altura, mais de 250 felinos. Alguns são provenientes dos “concelhos vizinhos”, como Odivelas, Cascais, Oeiras e Loures, mas também há gatos que chegam de Aveiro, do Porto, do Alentejo e até dos Açores, como revela Ema Mock.

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