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André Ventura, candidato PSD à Câmara de Loures (ao centro).

No primeiro dia de campanha, André Ventura visitou o bairro Quinta da Fonte, uma das zonas de Loures que o candidato considera ter maiores problemas com a insegurança. Segundo os jornais que o acompanharam, o candidato do PSD evitou a comunidade cigana.

André Ventura deslocou-se ao bairro Quinta da Fonte, mas não foi sozinho. Com uma comitiva de cerca de 20 apoiantes e jornalistas, o candidato do PSD a Loures foi sempre seguido a meia distância por quatro agentes da PSP que fizeram, segundo as autoridades, o patrulhamento habitual sempre que alguém nestas circunstâncias visita o bairro, avança a TSF.

Começou a visita no espaço da Pastoral dos Ciganos que acolhe cerca de 60 crianças com idades compreendidas entre os 6 e o 15 anos, filhos de ciganos e africanos do bairro. Naquele local conseguiu conquistar alguns “votos” quando falou do Benfica.

Nas ruas do bairro, no entanto, conseguir apoio não foi tão fácil. Enquanto percorria as ruas, os apelos eram constantes. “Tem de nos arranjar uma casa melhor”, “É preciso luz nos prédios e limpar as fossas porque têm muitos mosquitos”, “Veja lá se o bairro fica mais limpo”, pediam inúmeras vozes.

Mas André Ventura não deixou a população sem resposta. “Foram os socialistas e comunistas, que governaram esta câmara durante 40 anos e que permitiram esta guetização”, justifica. “Quem precisa de casa, não tem e quem tem, não precisa, é o que eu tenho dito”.

De acordo com os jornais presentes na visita, o candidato ignorou alguns dos habitantes do bairro. Ao chegar ao cima da rua principal, viu um grupo de cerca de 15 ciganos e ciganas, do qual evitou aproximar-se, virando à esquerda.

Foi por uma “ponderação de segurança”, justificou depois André Ventura, que disse respeitar a liberdade de expressão de quem o insultou às janelas. O candidato repetiu que as críticas feitas em julho não foram uma generalização para a comunidade cigana.

No entanto, os habitantes do bairro sentiram as coisas de outra forma: “Cruzou o bairro todo, podia ter vindo ter connosco, não lhe íamos bater

“. “Aqui ninguém lhe faz mal”, explicaram. “Ele pode estar aí. Tenho aqui um quarto para ele, se quiser. Está tudo em dia, tudo pago, água, luz”, sublinhava outro numa crítica às anteriores declarações do social democrata.

No entanto, mesmo evitando os ciganos, o candidato não se escapou aos gritos daqueles que o consideram racista. “Racista! Racista! És racista!”, diz uma mulher à janela. “Não sou racista, não! Está muito enganada!“, responde Ventura. “És racista!”, concluiu a mulher.

De acordo com o Público, que recolheu testemunhos no local, há, por outro lado, quem apoie Ventura porque “ele diz o que muita gente pensa e não diz“, conforme justificou uma mulher no local.

Na Quinta da Fonte, alega Ventura, 80% dos inquilinos não pagam renda. “É uma vergonha para os que trabalham e têm de cumprir”, diz, propondo acordos com os devedores.

“Queremos estabelecer com as famílias um plano de pagamento baseado no seu rendimento real. Haverá um acordo que as pessoas têm de cumprir. Se não cumprirem, têm de sair.” Estas medidas, continua, nada têm de racistas. “É uma questão de justiça social”, frisa.

A visita acaba com o reforço das promessas já feitas para aquele local: uma esquadra da polícia municipal e que “daqui a dois anos, os moradores vão agradecer a segurança”, assim como os serviços de limpeza.

Além disso, se for eleito, daqui a dois anos, Ventura trará de volta os jornalistas ao bairro. Desta vez para mostrar como “a população lhe ficou agradecida”.

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