Manuel de Almeida / Lusa
O pré-candidato presidencial do Chega, André Ventura, admitiu esta terça-feira vir a dar posse a um Governo que até integre elementos do PCP, caso venha a ser eleito para Belém. Se ficasse atrás de Ana Gomes na corrida presidencial, demitir-se-ia porque nesse caso considera que não fez “um bom trabalho”.
“Respeitarei a vontade dos portugueses como democrata e, ao mesmo tempo, não deixarei de chamar a atenção — o que Marcelo Rebelo de Sousa não fez — para casos como [o do Bairro] Jamaica, o esbulho fiscal, [a situação dos] professores, enfermeiros. Daria posse ao Governo que fosse escolhido pelos portugueses”, disse à RTP, confrontado com a possibilidade de participação comunista num executivo hipotético.
O presidente da nova força política populista criticou “todos os candidatos à esquerda” que têm afirmado — “ou não respondem — que não dariam posse a um Governo com o Chega”.
“Acho isto de uma falta de sentido democrático… O Chega é um partido legítimo, legalizado. Não percebo como é que há candidatos que dizem que não vão respeitar a vontade do povo português, se o Chega tiver 8%, 10%, 12% ou 15% [dos votos], como apontam algumas sondagens”, lamentou.
Para o deputado único do Chega, “o Presidente da República não pode ser o ‘corta-fitas’ da República que tem sido, muito por culpa de Marcelo Rebelo de Sousa, mas também de Cavaco Silva e de Mário Soares”.
“Não aceito um Presidente, como aconteceu no Bairro Jamaica, que vai visitar os bandidos e deixa os polícias sozinhos“, afirmou.
À Rádio Observador, André Ventura disse sentir que foi Deus que lhe confiou a “missão de transformar” o país e que a ascensão do Chega foi um “milagre da ascensão política”.
“Falar de Deus dá-me força, motivação, convicção, e isso mostra às pessoas que a nossa força é autêntica. Podia não falar de Deus mas não era a mesma coisa, se eu acho que é Deus que me dá esta força porque não? Não tenho medo de falar de Deus nem da fé, e acho que devemos ter uma Europa de matriz cristã. Sinto que Deus me colocou neste caminho, porque sou uma pessoa de fé”, disse o candidato presidencial.
Sobre o governo dos Açores e um eventual governo de direita na República, André Ventura insiste que não está à procura de lugares, e que “o Chega só fará parte de um governo se for um governo de rutura e não de sistema”.
Nos Açores foi diferente, diz, porque nos Açores não havia “outra hipótese” — era isto ou o PS continuar no governo. E nos Açores não há a possibilidade de transformar a lei, isso só se faz no Parlamento nacional.
Por isso, nos Açores o Chega “confia que o acordo com o PSD/CDS vá ser executado” e, se não for ,”saímos do acordo”.
Mas no plano nacional será diferente e aí o Chega exige lugares no Governo para executar mudanças na lei, nomeadamente na Segurança Social: “Se querem conseguir um governo de direita há matérias que têm de ser reguladas, e aí não confiamos noutros ministros a não ser nos ministros do Chega”, diz.
O candidato presidencial foi também confrontado com uma sondagem recente que o coloca na terceira posição da corrida presidencial, atrás do atual chefe de Estado e recandidato e da diplomata e ex-eurodeputada do PS Ana Gomes, algo que o próprio já assumira implicar a demissão de líder partidário.
“Demitir-me-ia porque nesse caso acho que não fiz um bom trabalho. É impossível ficar atrás da Ana Gomes e fazer uma boa campanha eleitoral, a não ser que o PS mude e a apoie. Os políticos vivem de resultados, e se eu tenho como meta ficar atrás do atual PR e ir à segunda volta, se ficar atrás de Ana Gomes fiz um mau trabalho”, disse ao Observador.
Em entrevista à revista Sábado, o candidato presidencial assegurou ainda que é a grande vítima da estratégia de ataques pessoais e insultos e que não será candidato nas autárquicas, mas quer tudo: presidenciais, ser primeiro-ministro, mudar o sistema.
“Já fiz mais do que todos os outros líderes. Alguns [militantes do Chega] estão suspensos, outros foram expulsos, sobre outros correm processos no Conselho de Jurisdição. Curioso é que nunca vi o BE fazer isto com os membros deles que estiveram das FP25 [organização terrorista de extrema-esquerda da década de 1980], no [PCTP/]MRPP ou em partidos maoístas. É a isso que eu acho graça”, disse à RTP, assumindo uma “limpeza” interna de elementos de extrema-direita, racistas, xenófobos ou fascistas.
[sc name=”assina” by=”Sofia Teixeira Santos, ZAP” url=”” source=”” ]
Desde que haja tacho!
Ainda bem que não disfarça nada, por isso só se os portugueses forem mesmo burros!