No início deste ano, funcionários do Aquário de New England, em Boston, repararam que uma das suas anacondas estava a dar à luz. Mas algo estava errado: o aquário só tinha fêmeas.

No inverno passado, as cobras recém-nascidas foram inesperadamente descobertas pela equipa do Aquário na exposição da floresta tropical. Os biólogos descobriram, em janeiro, que Anna, uma anaconda adulta de 3 metros e 13,6 quilogramas, ainda estava no processo de dar à luz mais bebés, a maioria dos quais mortos. Inicialmente, três bebés sobreviveram, mas um morreu depois de alguns dias. Os outros dois prosperaram.

Testes de ADN mostraram agora que o que aconteceu não foi uma confusão administrativa, intervenção divina ou qualquer comportamento furtivo de uma cobra. Na verdade, foi o resultado de uma estratégia incomum de reprodução não sexual chamada partenogénese.

Este processo é bem mais comum no mundo vegetal e no mundo dos insetos, de acordo com um comunicado divulgado pela instituição. A estratégia, que permite que um organismo feminino se replique sem a fertilização de um macho, é extremamente raro entre as espécies de vertebrados.

A partenogénese foi documentada num número limitado de espécies de lagartos, tubarões, pássaros e cobras. Este é o segundo caso confirmado conhecido de partenogénese em sucuri verde, tendo o outro acontecido num jardim zoológico no Reino Unido em 2014.

Pode haver diferentes tipos de partenogénese, muitos dos quais não produzem cópias exatas de ADN da sua mãe. No entanto, o sequenciamento genético limitado feito nas duas cobras jovens mostra correspondências completas em todos os locais testados. Esses dois jovens parecem ser cópias genéticas ou clones da mãe.

Os bebés ainda não estão em exposição. Comem cerca de uma vez por semana. Os dois têm personalidades diferentes: o mais magro é descontraído, enquanto o mais pesado é mais apto a explorar e verificar o ambiente ao farejar objetos com a sua língua.

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