Tiago Petinga / Lusa

A embaixadora e ex-MPE, Ana Gomes

Ana Gomes foi ouvida esta terça-feira em tribunal, voltando a tecer duras críticas a Isabel dos Santos e não mostrando estar arrependida dos tweets que levaram à ação cível.

A ex-deputada europeia Ana Gomes foi esta terça-feira ouvida em tribunal no seguimento de uma ação cível imposta contra si por Isabel dos Santos. A empresária angolana denuncia que alguns tweets de Ana Gomes – a acusá-la de ser corrupta e usar o Banco Eurobic para lavar dinheiro – ofendem o seu bom nome e reputação.

“Convido-a pôr-me um processo-crime se isto não é verdade”, disse a diplomata, que se recusa a apagar os tweets. “Escrevi-os e estou aqui a dizer que os mantenho. Se a senhora engenheira Isabel dos Santos acha que não estou a falar verdade, ponha-me um processo-crime”, reiterou, citada pelo Público.

A antiga deputada europeia não se mostra arrependida e diz que cumpriu o seu dever como funcionária pública, principalmente depois de ver “uma pessoa como Isabel dos Santos a armar-se em coitadinha“.

“Sou uma servidora do Estado. O meu dever é defender a causa pública. É isso que me move. Eu levo o Estado a sério, levo o bem público a sério e sei quais são os mecanismos do branqueamento de capitais”, disse em tribunal.

Além disso, Ana Gomes acusou Isabel dos Santos de controlar, através de um testa de ferro, a Global Media. “Põe toda a gente a limpar-se na Wikipédia. Controla tudo o que sai sobre ela na imprensa. Controla através de um testa de ferro, a Global Media“, disse, citada pelo Observador.

Ana Gomes arrolou como testemunha o jornalista angolano Rafael Marques, que disse que Isabel dos Santos tem reputação de ser “predadora” dos bens públicos porque foi “das pessoas que mais beneficiou dos grandes negócios que o pai lhe deu de forma abusiva”.

Por sua vez, Carlos Cruz, advogado de Isabel dos Santos, contou com Mário Leite Silva, seu representante na Efacec, e o administrador da NOS Rui Carlos Lopes. Ambos confirmaram que os negócios de Isabel dos Santos foram devidamente acompanhados pela supervisão bancária e Banco de Portugal.

No entanto, Ana Gomes não se mostrou convencida com as alegações das testemunhas arroladas pelo advogado da filha do antigo presidente angolano José Eduardo dos Santos.

“Isabel dos Santos deu uma entrevista à Lusa em Cabo Verde dizendo que pede empréstimos para investir. Se é a mulher mais rica de África, por que precisa de pedir tantos empréstimos? O crime organizado que recorre ao branqueamento sabe, e incluo os advogados e intermediários, que essa é a maneira de ofuscar a origem do capital é contrair empréstimos”, explicou a ex-deputada europeia.

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