José Sena Goulão / Lusa
A candidata presidencial Ana Gomes garantiu esta segunda-feira que, se for eleita, vai pedir a reapreciação da legalização do Chega. Além disso, a ex-eurodeputada socialista acusou Marcelo Rebelo de Sousa de “o grande desestabilizador” do sistema político.
Em entrevista à TVI24, a candidata presidencial Ana Gomes disse que, se for eleita Presidente da República, vai pedir à à Procuradoria-Geral da República uma reapreciação da legalidade do partido Chega.
“O Chega nunca deveria ter sido legalizado. E porquê? Porque é um partido que claramente tem um discurso xenófobo, racista, quer confinar as pessoas de etnia cigana, e tem, sobretudo, um propósito de destruir a democracia”, afirmou Ana Gomes.
A ex-eurodeputada socialista disse ainda não perceber “como o Tribunal Constitucional o legalizou”.
“Posso assumir desde já um compromisso: sendo eleita, uma das primeiras atitudes que tomarei será dirigir uma mensagem à senhora procuradora-geral da República, pedindo uma reapreciação da legalidade do Chega, não apenas, pelo programa, mas também pela sua prática reiterada xenófoba, racista, violenta. Olhe como é por aqueles de que nos queixamos agora no SEF [Serviço de Estrangeiros e Fronteiras]”, disse.
Questionada sobre se vai estar presente nos debates presidenciais com André Ventura, líder do Chega, Ana Gomes assegurou que “com certeza” que vai – mas não lhe estenderá a mão.
“Darei um cumprimento sanitário, como por exemplo assim [baixar a cabeça], de cortesia elementar para quem como eu fui diplomata. Agora, apertar a mão nem era preciso o contexto sanitário, tenho também linhas vermelhas [quanto] a quem aperto a mão”, disse a candidata.
A candidata garantiu também que nunca daria posse a um Governo do PSD/CDS com o apoio parlamentar do Chega. “Essa é uma grande diferença de Marcelo Rebelo de Sousa. Nunca replicaria aquilo que ele admite replicar, que ele foi artífice nos Açores”, disse.
Questionada sobre o que a leva a defender que um segundo mandato presidencial de Marcelo será “perigoso para Portugal”, Ana Gomes acusou Marcelo de ser “o grande desestabilizador” do sistema político, dizendo que o Presidente ora se encosta ao Governo, ora lhe puxa o tapete.
Ana Gomes acusou Marcelo de estar “a normalizar um partido racista e fascista“, o Chega, e de não combater “as infiltrações da extrema-direita nas forças de segurança”.
A candidata disse ainda é “incompatível” um Presidente da República jurar a defesa da Constituição e dar posse ao Governo sustentado pelo partido de André Ventura, por se tratar de uma força política “que quer destruir a Constituição”.
“Vale a pena gastarmos dinheiro na TAP”
A candidata presidencial Ana Gomes abordou o tema da TAP, dizendo que esta é uma empresa estratégica, que deve ser defendida e chamou os partidos a assumirem as suas responsabilidades.
A ex-eurodeputada afirmou que plano de reestruturação da TAP deveria ter sido discutido no Parlamento, considerando que “ele [ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos] tinha razão quando disse que queria levar o assunto à Assembleia da República”.
“A Assembleia da República não queria discutir o problema da TAP, mas devia. O Parlamento tem que assumir as suas responsabilidades e os partidos no Parlamento têm de assumir as suas responsabilidades e quando estão questões estratégicas em cima da mesa – seja a CGD, seja o Novo Banco, seja a TAP – é evidente que o Parlamento não se pode desresponsabilizar e tem que se responsabilizar por aquilo que a TAP precisa que é: recapitalização e boa gestão que nunca teve“, disse Ana Gomes.
A candidata disse ainda que a TAP não deve “cair”.
“Vale a pena salvar a TAP, vale a pena gastarmos dinheiro na TAP. É preciso ver que dinheiro, o processo deve ser seguido e é para isso que serve o Parlamento. Aqui ou em qualquer lugar”, afirmou. “É uma boa companhia e deve ser preservada”.
“Não me arrependo de ter sido militante do MRPP”
A candidata presidencial mencionou, na mesma entrevista, o seu passado político, que inclui um ano de militância no MRPP (Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses), do qual não se arrependeu. “Foi uma grande escola de cidadania”, referiu.
Ana Gomes explicou que ingressou no MRPP porque tinha “uma agenda por democracia, por liberdade”, do qual se afastou por ter sido “crítico” em relação ao 25 de abril.
“Não me arrependo de ter sido militante do MRPP. Hoje, haveria muitas coisas que não voltaria a fazer, mas foi uma grande escola de cidadania”, vincou.
[sc name=”assina” by=”Maria Campos, ZAP” url=”” source=”Lusa”]
Além liga importância a este estupor que sempre foi uma defensora de terroristas???