António Cotrim / Lusa
Pedro Silva Pereira, ex-ministro da Presidência de José Sócrates
As revelações em torno da investigação da Operação Marquês continuam e sabe-se agora que até o filho do antigo ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, o número 2 de José Sócrates quando foi primeiro-ministro, residiu num apartamento em Paris pago por Carlos Santos Silva.
O semanário Sol noticia que, além de pagar a renda de um apartamento onde morava o filho de José Sócrates na capital francesa, Carlos Santos Silva também pagava a casa onde morava o filho de Pedro Silva Pereira, na mesma cidade.
A tese do Ministério Público centra-se na ideia de que o ex-administrador do Grupo Lena era o “testa de ferro” de José Sócrates.
Segundo a investigação do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) a que o Sol teve acesso, “há registos de que as contas de Santos Silva serviram para José Sócrates comprar telemóveis que ofereceu como prendas de Natal e ainda para pagar tratamentos dentários a familiares”.
Santos Silva e Sócrates “accionistas ocultos” no negócio dos direitos televisivos
O Sol consultou também o acórdão do Tribunal da Relação que recentemente rejeitou o recurso da defesa sobre a especial complexidade do processo e nele constará que “Carlos Santos Silva e José Sócrates eram accionistas ocultos da Worldcom”, no âmbito de um negócio de direitos televisivos de futebol.
“Uma das pistas que alertou os investigadores foi um cheque de 2,7 milhões de euros emitido pela sociedade Partrouge Media SGPS – de Miguel Pais do Amaral – que acabou nas contas de Santos Silva”, conta o Sol.
O jornal nota que esse cheque “foi passado à Walton Grupo Inversor, sociedade espanhola ligada a Rui Pedro Soares (ex administrador da PT e presidente da SAD do Belenenses)” e que foi “endossado a favor de Carlos Santos Silva”.
O valor do mesmo cheque referia-se, nota o Sol, a “uma parte dos 6 milhões de euros pagos pela Partouge pela compra da Worldcom, detentora dos direitos de transmissão televisiva para Portugal dos jogos da Liga Espanhola”.
Sócrates queria ser avisado das escutas
No âmbito do recurso da defesa sobre a especial complexidade do processo, o Sol nota ainda que os advogados de José Sócrates alegavam a nulidade das escutas telefónicas por terem sido feitas quando ele não era ainda arguido. O mesmo é dizer que o ex-governante esperava ser primeiro avisado da investigação antes de ser escutado.
Proibição de contactos com Hélder Bataglia
Entretanto, fica-se ainda a saber, também por intermédio do Sol, que a proposta do procurador Rosário Teixeira para a prisão domiciliária com pulseira electrónica determinava a José Sócrates a proibição de contactos com Hélder Bataglia, fundador da Escom e accionista do Empreendimento turístico Vale do Lobo, no Algarve, e também com outros dois administradores do “resort” algarvio, ambos familiares do primeiro, respectivamente Rui Horta e Costa e Luiz Horta e Costa (este último um dos arguidos no “Caso dos Submarinos“).
Hélder Bataglia vai assim tendo “um papel cada vez mais central na Operação Marquês”, realça ainda o Sol, com o Ministério Público a suspeitar de que ele intermediou transferências bancárias da ordem dos 17,5 milhões de euros que chegaram às contas de Carlos Santos Silva, dinheiro que os investigadores acreditam ser de facto de José Sócrates.
ZAP
Claro que por isso é que este "artista" do Silva é amigo do peito do corrupto Sócrates.