Shawn Thew / EPA
Na terça-feira, durante o seu primeiro discurso do Estado da União, Donald Trump optou por utilizar um tom mais conciliatório e proclamou um “novo momento americano”.
Durante uma hora e 20 minutos, Donald Trump, que discursava pela primeira vez sobre o Estado da União, falou sobre um “novo momento americano“, conquistado pelas suas políticas. “Nunca houve um melhor momento para começar a viver o sonho americano”, disse.
Um dos anúncios que marcou o discurso, seguido por cerca de 40 milhões de espectadores, que ouviram Trump utilizar um tom mais conciliatório para defender “uma equipa, um povo e uma família americana”, foi a promessa assumida pelo Presidente dos EUA de manter aberta a prisão de Guantánamo, revertendo a decisão de Obama, em 2009.
“Terroristas que fazem coisas como colocar bombas em hospitais civis são maus. Quando possível, não temos outra escolha senão aliená-los”, defendeu Trump no discurso. “Por isso, hoje cumpro outra promessa. Mesmo antes de entrar aqui, assinei uma ordem indicando o secretário Mattis para reexaminar a nossa política de detenção militar e manter abertas as instalações de detenção na Baía de Guantánamo”.
Outro ponto a marcar o seu discurso foi o contraste entre uma América mergulhada numa “carnificina” que precisava de ser salva por Donald Trump, como o próprio defendeu na tomada de posse, há um ano, e o seu atual objetivo: “construir uma América segura, forte e orgulhosa”.
Imigração, investimento e acordos de comércio no Estado da União
Donald Trump aproveitou o discurso do Estado da união para falar sobre os seus planos para uma reforma de imigração, investimento público e acordos de comércio.
“A América virou finalmente a página de décadas de acordos de comércio injustos, que sacrificaram a nossa prosperidade e enviaram para outros países as nossas empresas, os nossos trabalhos e a riqueza da nossa nação”, disse Donald Trump.
Trump, que decidiu a saída dos EUA do Acordo Trans-Pacífico de Comércio e quer renegociar o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), afirmou que “a era de submissão económica terminou” e que todos os novos acordos serão “justos e, mais importante, recíprocos”.
O presidente dos EUA também se referiu a um dos temas com o qual o Congresso se debate neste momento, que é o futuro dos jovens protegidos pelo programa DACA, pessoas que foram trazidos para os EUA em criança de forma ilegal.
Trump reiterou a proposta da Casa Branca, que oferece um caminho da cidadania para cerca de 1,8 milhões de jovens que “cumpram requisitos de trabalho e educação, e bom caráter moral”, em troca da construção do muro da fronteira com o México, o fim da lotaria de vistos e os programas de reunificação familiar.
“Comunidades que passam por dificuldades, especialmente comunidades de imigrantes, podem ser ajudadas por políticas de imigração que se centrem nos interesses dos trabalhadores americanos e das famílias americanas”, defendeu.
Ainda sobre a imigração e os planos para reformar o setor, Trump pediu união ao Congresso, em particular aos democratas, para que cooperem com o partido no poder depois de um primeiro ano turbulento na Casa Branca. “Esta noite estendo uma mão aberta para trabalhar com membros dos dois partidos, Democratas e Republicanos, para proteger os nossos cidadãos, de todas as origens, cores e credos
“.Na área económica, o republicano mencionou um tema popular entre os conservadores, o corte de regulações para todas as indústrias.
“Na nossa missão para responsabilizar Washington, eliminámos mais regulações no nosso primeiro ano do que qualquer outra administração na história”, assinalou.
“A América é uma nação de construtores. Construímos o Empire State Building em apenas um ano. Não é uma desgraça que agora demore dez anos para conseguir a licença para construir uma simples estrada?”, questionou
Num dos vários momentos em que referiu a colaboração entre os partidos, Trump pediu a democratas e republicanos que deixem passar o seu plano de investimento público em infraestruturas.
“Estou a pedir a ambos os partidos que se unam para nos dar a rede de infraestruturas segura, rápida, de confiança e moderna que a nossa economia precisa e que as nossas pessoas merecem”, apelou.
Trump pediu ainda “a todos que coloquem as suas diferenças de lado, que procurem pontos de acordo e que procurem a unidade” que os Estados Unidos precisam para as pessoas que serve.
Para surpresa de alguns e sem surpresas para outros tantos, o Presidente não fez referência à Rússia a não ser para colocar o país lado-a-lado com a China, os dois grandes “rivais” dos EUA. Também nada disse sobre os avanços da investigação de Robert Mueller ao alegado conluio entre a sua equipa de campanha e o Kremlin.
Os democratas, pela voz do congressista Joseph Kennedy III, sobrinho-neto de Jonh F. Kennedy, aproveitaram a própria ideia de um “novo momento americano” para culparem Trump pelo “país fraturado” entregue a uma administração “caótica”, com “muitos americanos que se sentem esquecidos e ignorados”, conforme diz o Expresso.
“Muitos passaram o último ano ansiosos, zangados e com medo”, declarou o legislador de 37 anos, de frente para os sonhadores,. “Os bullies até podem dar murros e deixar marcas. Mas nunca, nem uma única vez na História dos EUA, conseguiram igualar a força e o espírito de um povo unido em defesa do seu futuro”.
[sc name=”assina” by=”ZAP” url=”” source=”Lusa”]
Democratas a "tremer" com a possível divulgação do memo da FISA. Tudo serve para desviar as atenções do público sobre isto.
País fraturado?! Agradeçam aos vossos comparsas democratas...