Mario Cruz / EPA

O ex-inspetor da Polícia Judiciária (PJ) Gonçalo Amaral

Este domingo à noite, Gonçalo Amaral, ex-inspetor da Polícia Judiciária (PJ) de Portimão, marcou presença no Jornal das 8, da TVI, e afirmou que o alemão Christian Brueckner, apontado como suspeito do desaparecimento de Madeleine McCann, é “um bode expiatório”.

Este domingo, ex-inspetor da Polícia Judiciária de Portimão, Gonçalo Amaral, falou pela primeira vez sobre Christian Brueckner, o cidadão alemão e pedófilo reincidente atualmente sob prisão na Alemanha, que na altura do desaparecimento de Madeleine McCann morava a alguns quilómetros do hotel de onde a criança britânica desapareceu.

“Pouco importa quem é o pedófilo. Nos últimos anos têm aparecido um suspeito, um pedófilo, uma figura que encaixe no perfil. É um suspeito quase perfeito“, disse Gonçalo Amaral, numa entrevista no Jornal das 8, da TVI. “Só lhe falta uma coisa para ser perfeito, que é estar morto.”

O antigo inspetor sublinhou que para se considerar o cidadão alemão como culpado é preciso que se “prove primeiro que tenha havido um rapto”. Questionado sobre se já tinha algum conhecimento do envolvimento do suspeito neste caso, respondeu que, “na altura, só se sabia que este homem era pedófilo”. Salientou, no entanto, que em 2007 estava identificado.

Na mesma entrevista, Gonçalo Amaral aproveitou para revelar novas fotografias nas quais a carrinha caravana Volkswagen, que Brueckner usou para viver e se deslocar em 2007, está com uma pintura personalizada e com desenhos, estando diferente das imagens divulgadas pelas autoridades alemãs, onde aparece branca e amarela.

“Será que essa viatura passaria despercebida na Praia da Luz ou noutra localidade qualquer? Seguramente que não”, disse, para logo de seguida questionar as razões pelas quais diz terem alterado “as imagens da autocaravana”, que foi levada para a Alemanha para ser examinada.

“O que se pergunta ainda é: será que as autoridades alemãs chegaram à conclusão que na altura de 2007 a viatura não estava assim, mas estava ainda pintada de branco? Quem lhes disse isso? Será que as autoridades – ou inglesas que eu não sei quem é que fez isto, pois seguramente não foi em Portugal – que divulgaram isto está a tentar checkar informação? Para receber um telefona a dizer ‘ah, eu vi a viatura no sítio tal?’ Esqueçam, ninguém viu nada porque a viatura era de outra forma

“, reiterou.

E relação às fotografias que revelou durante a entrevista, o antigo PJ, que liderou as investigações iniciais do desaparecimento de Maddie, disse apenas que “foram tiradas no Algarve”.

“Muita coisa vai acontecer”

Sobre Christian Brueckner, Amaral reiterou que “é um bode expiatório” e descredibilizou a investigação da polícia alemã, recordando que, na investigação que conduziu, “a teoria do rapto é a que menos indícios tem“.

“A teoria do rapto é aquela que menos indícios existem, existe o indício de que alguém viu a criança ao colo de um homem, uma família irlandesa que é o testemunho mais credível de que a menina foi transportada e o que as pessoas dizem é o que o mundo sabe: quem transportava aquela criança era a pessoa que estava a descer de um determinado avião, numa determinada data, com o filho ao colo, em Inglaterra que era o pai da Madeleine. Não disseram que era parecido. Disseram que em quase 90% era o pai”, justificou.

Durante a entrevista, Gonçalo Amaral teceu duras críticas aos pais de Madeleine McCann e a todos aqueles que estiveram presentes na noite do seu desaparecimento. “Todos aqueles pais deixaram os filhos ao abandono.”

Por último, o jonalista José Alberto Carvalho perguntou se, na sua opinião, o caso iria ficar encerrado e se tinha esperança na sua resolução. Amaral respondeu que tinha estado a “almoçar com um amigo” em quem confiava e que este lhe tinha dito que sim.

No entanto, “muita coisa vai ainda acontecer” e “podem passar outros 13 anos”.

Madeleine McCann desapareceu em 3 de maio de 2007 do quarto onde dormia juntamente com os dois irmãos gémeos, num apartamento de um aldeamento turístico na Praia da Luz, no Algarve.

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