Miguel A. Lopes / Lusa

Kate e Gerry McCann, os pais de Maddie

Ao fim de dez anos de silêncio, uma das amas que cuidou de Madeleine McCann, a criança britânica que desapareceu no Algarve, em 2007, conta o que aconteceu na fatídica noite, ilibando os pais de responsabilidades, culpando a polícia portuguesa e queixando-se da insegurança na zona.

A mulher, que não quis dar o nome, revelou ao jornal The Mirror que o desaparecimento de Maddie não lhe sai da cabeça, e recorda o que sucedeu na noite fatídica.

A ama, que em Maio de 2007, quando a menina desapareceu, era ainda adolescente, trabalhava para a agência de viagens britânica Mark Warner no resort da Praia da Luz, onde o casal McCann e os três filhos menores ficaram alojados.

Após dez anos de silêncio, a ama conta ao jornal inglês que a polícia portuguesa demorou “talvez uma hora e meia” a chegar ao resort. Enquanto isso, dezenas de pessoas entraram e saíram do apartamento do casal inglês, “contaminando uma potencial cena de crime”, refere.

“Eu não entrei no apartamento, mas quase todas as outras pessoas entraram. Por isso, provas desaparecidas, nada. Não havia lá ninguém para dizer precisamos de analisar isto, agora“, conta a ama.

A ama atribui responsabilidades às autoridades portuguesas, considerando que “muitas coisas deveriam ter acontecido de forma diferente” e que, “infelizmente, os efeitos foram catastróficos”.

A ama também lamenta que os pais tenham sido vistos como suspeitos, considerando que “de maneira nenhuma” tiveram responsabilidades no desaparecimento da criança.

Uma especialista criminal defendeu, recentemente, que Maddie morreu no Algarve por “negligência e medicação”, atribuindo culpas ao casal inglês. Mas a ama contraria essa ideia, notando que o casal e os filhos eram a imagem da “família perfeita”.

Mario Cruz / Lusa

A ama de Maddie iliba Kate e Gerry McCann, os pais da menina desaparecida

Gerry procurava “debaixo dos carros”, Kate só chorava

Na noite do desaparecimento, “Gerry procurava freneticamente debaixo dos carros enquanto Kate andava para cima e para baixo a chorar: “têm a Maddie”, relata a ama, realçando que o casal ficou desesperado e em pânico.

A ama detalha que Kate estava “a chorar, mas quase num estado catatónico”, enquanto “Gerry estava muito perturbado”.

Começaram a dizer-nos para procurar em caixas, para o caso de o corpo dela estar lá. Foi nessa altura que percebemos que era sério“, diz ainda a ama, realçando que várias pessoas procuraram Maddie em caixotes industriais e em canos de esgoto pelas ruas da Praia da Luz.

Alarmes de violação

A ama também revela que a zona onde se situava o resort era considerada insegura e diz que as amas da agência de viagens britânica recebiam alarmes de violação e eram aconselhadas a não saírem sozinhas.

Uma rapariga tinha sido atacada, no ano anterior ou antes, na Praia da Luz”, conta. O The Mirror cita um caso de uma jovem britânica de dez anos que terá sido agredida sexualmente na Praia da Luz, em 2003.

“Tinha a sensação de que os locais não nos queriam lá”, diz ainda a ama que fala de Maddie como uma criança “ligeiramente tímida, muito doce”, “muito querida” e educada.

“Espero que ainda esteja viva” e que tenha sido “levada para uma pessoa rica que não tinha filhos”, acrescenta.

As autoridades inglesas continuam a investigar o desaparecimento, depois de terem recebido financiamento adicional para prosseguirem o inquérito até Setembro deste ano.

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